União Europeia Pistas sobre o futuro do Brexit podem ser encontradas numa ilha muito distante

Pistas sobre o futuro do Brexit podem ser encontradas numa ilha muito distante

Do outro lado do mundo pode haver pistas sobre como o Reino Unido poderá gerir a saída da União Europeia sem um acordo.
Pistas sobre o futuro do Brexit podem ser encontradas numa ilha muito distante
EPA
Bloomberg 18 de agosto de 2019 às 11:00

O Reino Unido enfrentará um impacto sem precedentes no lado da oferta da economia, segundo o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, com barreiras comerciais imediatas que afetarão as exportações. O único caso histórico relevante mencionado por Carney ocorreu com a Nova Zelândia, em 1973.

 

Foi quando o Reino Unido passou a fazer parte da Comunidade Económica Europeia, o que significou abandonar o seu parceiro da Commonwealth para favorecer os vizinhos europeus. Nas décadas anteriores, a Nova Zelândia prosperava com o envio de mais da metade dos seus produtos para o Reino Unido.

 

"Foi um pouco como estar na posição de um adolescente que ouviu: ‘Filho, agora tens18 anos. É hora de partir e seguires sozinho’", afirmou o neozelandês John Llewellyn, ex-funcionário da OCDE e ex-economista do Lehman Brothers.

 

Depois disto, houve duas décadas de crescimento anémico. Os ganhos reais do PIB per capita representaram em média apenas uma fração dos anos anteriores. O país foi forçado a embarcar num doloroso programa de reestruturação, cortando subsídios e privatizando muitos ativos do Estado, como concessionárias de energia, aeroportos e até florestas. Segundo Llewellyn, as reformas de Margaret Thatcher da década de 1980 pareciam "bastante brandas em comparação".

 

"Eles reformularam completamente a lei trabalhista e acabaram com muita proteção social", acrescentou o responsável. "A estabilidade no emprego foi eliminada. O desemprego na minha juventude nunca passou de 1% e depois subiu para mais de 10%. Foi dramático."

 

A Nova Zelândia provavelmente estava mais preparada do que o Reino Unido atualmente. Segundo o economista neozelandês Brian Easton, os preparativos começaram em 1961, quando o Reino Unido começou a negociar a sua entrada na CEE.

 

"Primeiro, foi o esforço de diversificação em relação à elevada dependência do mercado britânico, tanto em encontrar novas commodities de exportação como novos mercados de exportação", disse. "Um elemento importante foi a criação de um acordo de livre comércio com a Austrália."

 

Outra diferença significativa foi a capacidade da Nova Zelândia de negociar uma redução gradual das suas exportações, em vez do impacto imediato implícito de um Brexit sem acordo.

 

"Perdemos algum acesso ao mercado, mas não tanto quanto se temia em 1961 e houve uma transição de cinco anos", disse Easton.

 

O pequeno país insular foi forçado a avaliar o seu próprio lugar num mundo dominado por superpotências económicas. Llewellyn disse que a sensação de importância do Reino Unido pode tornar a queda ainda mais dolorosa.

 

"Os neozelandeses não têm delírios de grandeza", disse. O país "não pode, é muito pequeno."

 

(Texto original: Clues for Brexit future may be found on islands far far away)




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