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Presidente do Bundesbank defende que a Alemanha precisa dos refugiados

Na perspectiva do presidente do banco central alemão, a Alemanha necessita de "mão-de-obra adicional para poder manter o seu nível de bem-estar", pelo que os refugiados e migrantes que querem ir para o país podem dar um importante contributo.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 16 de Setembro de 2015 às 12:51
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O presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, considera que a Alemanha precisa, e pode beneficiar, da mão-de-obra providenciada pelos refugiados e migrantes que tentam entrar no território germânico. Numa entrevista publicada esta quarta-feira, 16 de Setembro, no jornal Süddeutsche Zeitung, Weidmann defendeu que a Alemanha necessita de "mão-de-obra adicional para poder manter o seu nível de bem-estar".

 

Para o líder da autoridade monetária germânica, citado pelo Cinco Días, "a imigração oferece também oportunidades e quanto melhor conseguirmos integrar na nossa sociedade e no mercado de trabalho aqueles [imigrantes] que vêm para ficar, mais oportunidades teremos".

 

Já depois de no início desta semana o vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, ter revelado que Berlim espera agora receber 1 milhão de refugiados até ao final deste ano, e já não os anteriormente previstos 800 mil, Jens Weidmann sublinhou a importância de acolher imigrantes até como forma de contrariar "as alterações demográficas".

 

Segundo as autoridades federais alemãs, a população da Alemanha poderá encolher dos actuais 80 milhões de habitantes para apenas 68 milhões por volta de 2060. Já o número de pessoas em idade activa poderá cair cerca de 30% para 34 milhões em 2060.

 

Nesse sentido, mesmo classificando como "boa" a actual situação económica alemã, Jens Weidmann realça que "lidar com o fluxo de refugiados exigirá muito da Alemanha". E acrescenta que "o actual auge económico terminará um dia", pelo que "no longo prazo a Alemanha enfrenta desafios complexos como o envelhecimento demográfico, a crescente competição proveniente dos países emergentes e a transição energética".

 

Já ontem os fabricantes alemães de automóveis haviam apontado que a Alemanha dispõe de uma oportunidade ao acolher os refugiados que pretendem ir para o país. "Idealmente, isto pode ajudar a florescer um milagre económico", disse Dieter Zetsche, CEO da Daimler, citado pela Bloomberg.

 

Já o CEO da Volkswagen, Martin Winterkorn, notou que "muita gente qualificada está a chegar", o que considera ser "uma oportunidade para aproveitar as pessoas altamente especializadas e dar-lhes trabalho nas nossas fábricas". "É o nosso contributo para acabar com esta crise de refugiados", concluiu Winterkorn.

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