União Europeia Quatro cenários possíveis para o desfecho do drama do Brexit

Quatro cenários possíveis para o desfecho do drama do Brexit

Para onde vai o Brexit a seguir? O que pode fazer Boris Johnson? Só um idiota pode apresentar uma previsão, mas aqui ficam alguns caminhos possíveis.
Quatro cenários possíveis para o desfecho do drama do Brexit
EPA
Bloomberg 11 de setembro de 2019 às 17:19

Johnson obtém um acordo

Talvez o primeiro-ministro britânico aceite uma fronteira no mar da Irlanda. Talvez a União Europeia ceda e ofereça algumas modificações às partes do acordo de saída alcançado pela sua antecessora, Theresa May, relacionadas com o contencioso em torno da questão da fronteira irlandesa.

 

Mas pode ele conseguir a aprovação no parlamento? Talvez. Para o fazer, ele iria necessitar de reduzir dramaticamente o número de "espartanos" – os 28 conservadores pró-Brexit que nunca votaram a favor do acordo de May. Dois deles, Priti Patel e Theresa Villiers, estão agora no governo, portanto provavelmente poderiam embarcar.

 

Para persuadir os restantes, Johnson poderia argumentar ter conseguido o melhor acordo possível e que a respetiva rejeição significaria a quebra da sua promessa de tirar o Reino Unido da UE a 31 de outubro. Jonhson sustenta que um falhanço representaria a extinção dos "tories" e teria o potencial de colocar em causa a concretização do Brexit.

 

Jonhson opta pelo não acordo

Os especialistas em legislação do governo encontram uma lacuna na lei aprovada na semana passada que obriga Jonhson a pedir um extensão. Ou Jonhson simplesmente a ignora ou, de alguma forma, persuade a UE a rejeitar o seu pedido para um prolongamento. O Reino Unido sai da UE no dia 31 de outubro sem acordo e Jonhson, necessitando de maioria no parlamento, tenta ir a eleições.

 

O resultado de tal eleição iria depender em grande medida de como um Brexit sem acordo se desenrolaria. Se, como Jonhson certamente espera, a perturbação fosse mínima, ele estaria em condições de acabar com o Partido do Brexit de Nigel Farage e apresentar-se a si próprio como o homem que finalmente cumpriu o mandato do Brexit.

 

O objetivo passaria por recolher assentos em áreas que apoiam o Brexit para compensar os mandatos perdidos em zonas onde existisse descontentamento com aquilo que o governo fizera. O perigo para Jonhson seria o de disputar uma eleição ensombrada por estradas bloqueadas por filas de camiões nos portos, carências de alimentos e medicamentos, encerramentos de fábricas e um humilhante regresso britânico à mesa de negociações com a UE pedindo, no final de contas, um acordo.

 

Johnson recua

Ele disse preferir estar morto e enterrado do que adiar o Brexit para lá de 31 de outubro. Mas a menos que consiga um acordo, a lei diz agora que tem de o fazer. Confrontado com a ameaça de demissões em massa do seu governo no caso de recusar respeitar a lei, Johnson aceita pedir uma extensão e, com esta assegurada, pede eleições ao parlamento. Dessa feita, o líder do Partido Trabalhista aceita. O Reino Unido realiza as suas primeiras eleições no mês de dezembro em quase 100 anos com Jonhson a defender que as pessoas têm de estar comprometidas com o parlamento.

 

Tendo falhado a promessa de "pegar ou largar" para tirar o Reino Unido da UE, Johnson disputa eleições numa posição fragilizada, isto enquanto o Partido do Brexit transmitiria aos eleitores que apenas Farage pode terminar o trabalho. O voto pró-Brexit fica dividido e o "Labour" torna-se o maior partido no parlamento. Jeremy Corbyn está pronto para se tornar primeiro-ministro com o compromisso de um novo referendo ao Brexit.

 

Jonhson demite-se ou é forçado a demitir-se

Não consegue incumprir a lei, não consegue contornar a lei, mas não obedece a lei, pelo que o primeiro-ministro anuncia a sua demissão. Ou tenta avançar para um não acordo, perde a moção de confiança e é forçado a demitir-se. Quem lhe sucede?

 

Os conservadores tentariam colocar o ónus da "traição do Brexit" em alguém que não eles e posteriormente tentariam derrotá-los em inevitáveis eleições. Johnson pode então sugerir à rainha Isabel II que esta convide Corbyn a formar governo, mas este teria menos apoio entre os membros do parlamento do que Jonhson. Do ponto de vista trabalhista, seria possivelmente melhor instalar outra pessoa com um mandato temporário para procurar uma extensão do Brexit. O Partido Trabalhista bloquearia qualquer outra figura dos seus quadros, portanto seria necessária uma figura mais neutral.

 

O antigo ministro britânico das Finanças, Ken Clarke, é amplamente respeitado e demasiado idoso para constituir qualquer risco de querer prolongar a sua permanência como primeiro-ministro. O Brexit é adiado e tem lugar uma eleição com Jonhson a tentar receber um mandato para um não acordo e Corbyn a pedir um segundo referendo. Mas mesmo aqui o "Labour" surge dividido.




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