União Europeia Reforma das pensões pode detonar nova crise no governo grego

Reforma das pensões pode detonar nova crise no governo grego

A reforma das pensões não implicará cortes para os já reformados, mas os novos pensionistas podem perder até 30%. Num sinal de fragilidade da coligação, a porta-voz de Tsipras pediu o apoio da oposição.
Reforma das pensões pode detonar nova crise no governo grego
Reuters
Eva Gaspar 05 de janeiro de 2016 às 14:04

A porta-voz do governo de Alexis Tsipras pediu nesta terça-feira, 5 de Janeiro, o apoio dos partidos da oposição às propostas de reforma do sistema pensionista grego, cuja aprovação é essencial para se poder antecipar uma primeira avaliação positiva deste terceiro programa internacional de assistência ao país. Na ausência de um exame positivo da troika, os parceiros europeus não passarão novos cheques nem iniciarão o debate sobre uma nova revisão das modalidades de reembolso dos empréstimos. E sem algum alívio da dívida, o FMI não emprestará mais dinheiro à Grécia.

 

O apelo de Olga Gerovasili foi feito durante uma comunicação transmitida pelas televisões e sugere o risco de erosão da base parlamentar que tem suportado o governo de coligação Syriza/Anel. Citada pelo jornal grego Kathimerini, Gerovasili garantiu que a reforma das pensões não implicará reduções, nem nas prestações principais nem nas secundárias, para quem já está reformado. Já os novos pensionistas podem enfrentar cortes compreendidos entre 15% e 30% no valor das prestações que poderão voltar a ser reduzidas caso o parlamento não aprove simultaneamente um aumento das contribuições para a segurança social.

 

"Em 2010, a pensão média era de 1.480 euros, mas quando o Nova Democracia e o PASOK nos entregaram o poder era apenas 863 euros", disse Gerovasili, ao apelar aos dois partidos agora na oposição para assumir as suas responsabilidade ao lado do actual governo de coligação de radicais de esquerda e de direita.

 

A responsável comunicou ainda o congelamento o valor das pensões, indicando que o seu valor será aumentado a partir de 2018, altura em que o governo prevê que o país possa sair da recessão em que voltou a mergulhar no ano passado após uma governação de antagonismo com a troika.

 

As propostas de reforma do sistema pensionista terão sido enviadas a Bruxelas, para exame prévio, nesta segunda-feira. No dia anterior, em entrevista ao The Real News, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras disse que "os credores têm que saber que nós vamos respeitar o acordo" mas que o seu governo "não vai sucumbir a exigências descabidas".

Admitindo que o sistema de pensões está "à beira do colapso" e precisa ser revisto, Tsipras disse que quer arrecadar cerca de 600 milhões de euros anuais em receitas adicionais – o governo propõe aumentar as contribuições para a segurança social em um ponto percentual para os empregadores, em meio ponto para os empregados e aplicar uma nova taxa sobre transacções bancárias. Mas os economistas da troika duvidam que seja possível evitar cortes nas pensões em pagamento, ao mesmo tempo que encaram com cepticismo o aumento das contribuições pagas por empregadores e trabalhadores, sublinhando o potencial impacto económico negativo, sobretudo sobre empresas em dificuldades.



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