União Europeia Saída da União Europeia custaria um mês de salário a cada britânico

Saída da União Europeia custaria um mês de salário a cada britânico

A OCDE estima que a concretização do Brexit afectaria directamente a carteira dos trabalhadores britânicos nos próximos quatro anos.
Saída da União Europeia custaria um mês de salário a cada britânico
Nuno Aguiar 27 de abril de 2016 às 09:30

Depois dos avisos de Obama, a OCDE também aconselha o Reino Unido a ficar na União Europeia. As conclusões de um estudo que está a ser citado pela BBC apontam para que a saída leve cada britânico a perder o equivalente a um mês de salário até 2020.

 

"Fizemos uma série de cálculos e acabámos por concluir que o Brexit será como um imposto… É o equivalente a mais ou menos perder um mês de salário dentro de quatro anos e depois [esse efeito] continua… E existe uma perda consistente", afirmou à BBC Radio Angel Gurria, secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). "Isto não é o ‘wishful thinking’ que muitos do lado do Brexit têm vindo a assumir em vários pontos que podem jogar a seu favor. Não existe nenhum cenário em que estejam melhor sozinhos do que estariam na companhia dos europeus."

 

As conclusões a que Gurria se refere deverão estar num estudo que a OCDE deverá publicar ainda hoje. O ministro das Finanças do Reino Unido já tinha dito na semana passada que as famílias britânicas perderiam mais de 5.500 euros por ano até 2030, caso o Brexit se concretize.

 

Um dos argumentos centrais dos defensores da saída do Reino Unido da União Europeia é a prosperidade económica que essa possibilidade traria. Deixariam de contribuir para o orçamento comunitário, escapariam a alguma da burocracia europeia e poderiam negociar com maior liberdade acordos de comércio bilaterais.

 

O último argumento já tinha sido muito fragilizado por Barack Obama, que disse sexta-feira passada em Londres que, caso haja Brexit, o Reino Unido "teria de ir para o fim da fila" para negociar um acordo de comércio com os Estados Unidos. "Acho que é justo dizer que nalguma altura poderá haver um acordo de comércio entre o Reino Unido e os Estados Unidos, mas isso não acontecerá dentro de pouco tempo, porque a nossa atenção está em negociar com o grande bloco - a União Europeia - para alcançar um acordo de comércio." Mais tarde, o Presidente norte-americano acrescentaria: "Pode demorar cinco anos ou dez anos até conseguirmos ter alguma coisa feita."

 

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional também avisou a saída da União Europeia teria consequências "duras" para a economia britânica e que o seu impacto se estenderia para todo o mundo. O FMI cita o referendo de 23 de Junho como um dos principais riscos para a estabilidade da economia global.

 

A Reuters escreve que os britânicos têm-se mostrado divididos em relação à saída da União Europeia. As sondagens apresentam resultados muito diferentes, mas parecem mostrar alguns ganhos para aqueles que querem sair.




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