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Salvini: "Podem enviar cartinhas até ao Natal", o orçamento de Itália "não muda"

O governo italiano mantém uma posição de força na contenda com Bruxelas e assegura que a proposta orçamental rejeitada pela Comissão Europeia é para manter. Matteo Salvini insiste que a prioridade são os italianos e não a burocracia europeia.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 24 de Outubro de 2018 às 10:11
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É caso para dizer que para grandes males nenhum remédio. Apesar de a Comissão Europeia ter chumbado a proposta orçamental apresentada pelo governo italiano, Roma rejeita mudar o plano de orçamento e adensa o clima de guerra com Bruxelas.

 

"Bruxelas pode enviar 12 cartinhas, daqui até ao Natal, o orçamento não muda", afirmou o vice-primeiro-ministro italiano e líder da Liga, Matteo Salvini, em entrevista concedida esta quarta-feira, 24 de Outubro, à rádio RTL e citada pelo diário La Repubblica.

O também ministro italiano do Interior refere-se assim à troca de missivas entre Roma e Bruxelas que dura há 20 dias. A 5 de Outubro, a Comissão Europeia "tomava nota" de que o governo italiano havia fixado, na actualização do Documento de Economia e Finanças, metas mais altas para o défice. Após receber a proposta orçamental a 15 deste mês, no dia 18 Bruxelas pediu explicações adicionais sobre os novos objectivos do executivo transalpino que, por sua vez, remetou a clarificação a 22 de Outubro. Por fim, esta terça-feira, 23 de Outubro, a Comissão remeteu duas cartas para Roma: uma em que comunica formalmente o pedido de reformulação do rascunho orçamental e outra em que enquadra esta decisão inédita.

Todavia, para Salvini, a postura da Comissão Europeia representa "um ataque contra a economia italiana".

 

Depois de o também vice-primeiro-ministro Luigi Di Maio (líder do 5 Estrelas) e de o primeiro-ministro Giuseppe Conte, terem já ontem assegurado que a proposta orçamental italiana é para manter, foi agora a vez de Salvini dizer o mesmo.

 

Contudo, Matteo Salvini vai mais longe e perante a pressão imposta pelos "euroburocratas" de Bruxelas diz ficar com ainda maior vontade de "dar mais dinheiro aos italianos". Porque "Itália vem em primeiro lugar" e "Itália não quer continuar a ser lacaia de regras sem sentido". 

O governante assume que o orçamento proposto pelo governo eurocéptico de coligação entre a Liga e o 5 Estrelas é expansionista, mas garante ser a aposta no consumo interno a solução necessária para promover um crescimento económico capaz de fazer cair a dívida pública. "Se as pessoas trabalharem mais, gasta mais e paga os impostos."

Salvini justifica assim a meta de défice de 2,4% do PIB definida para 2019, o que representa uma deterioração face aos 1,8% projectados para este ano. No Programa de Estabilidade negociado entre o anterior governo transalpino e Bruxelas, Roma fixou uma meta para o défice no próximo ano de 0,8%. 
 

Mas Matteo Salvini garante ter sido eleito para fazer o "contrário" de anteriores primeiros-ministros como Mario Monti e Matteo Renzi, cujos orçamentos mereciam "aplausos" da Europa e acabaram por fazer "disparar a dívida pública em 300 mil milhões de euros".

Antes de Salvini e ainda na terça-feira, Di Maio garantia no Facebook que "não nos renderemos". "Sabemos que estamos a percorrer o caminho justo", atirou o líder do 5 Estrelas. Também o primeiro-ministro Conte, em entrevista à Bloomberg, assegurou na terça-feira que "não exsite um plano B" para responder ao pedido de Bruxelas.

Orçamento não muda mas Roma quer continuar no euro e na UE

Apesar da "guerra" em curso com Bruxelas, Salvini afiança não querer "sair do euro nem da União Europeia". Esta declaração reitera uma evolução no discurso de Salvini que, antes de tomar posse como número dois do governo, chegou a colocar a possibilidade de saída da moeda única em cima da mesa. 

Esta terça-feira, a Comissão Europeia pediu a Roma a reformulação da respectiva proposta orçamental, um procedimento que nunca tinha sido utilizado pelo órgão executivo europeu.

Após ter pedido a clarificação de alguns elementos que constam do plano orçamental transalpino, nomeadamente o défice estrutural, a dívida e o crescimento projectados, Bruxelas considerou as insatisfatórias respostas do ministro italiano das Finanças, Giovanni Tria, optando por inaugurar um procedimento que confere três semanas a Roma para apresentar um novo orçamento. Foi em 2013, na sequência da crise das dívidas soberanas, que a Comissão conquistou a capacidade para requerer a um Estado-membro da área do euro a reformulação da proposta de orçamento. 

(Notícia actualizada às 11:00)

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