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Sassoli assume presidência do Parlamento Europeu a pedir reformas das instituições

"Emocionado", o novo presidente do Parlamento Europeu defendeu a necessidade de "repensar as instituições europeias" para dotar a União Europeia dos instrumentos necessários para responder às ameaças daqueles que querem destruir o projeto europeu.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 03 de Julho de 2019 às 13:41
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Ainda se ouviam aplausos à eleição de David Sassoli como novo presidente do Parlamento Europeu e já o socialista italiano, "emocionado", se dirigia ao plenário para defender ser preciso não esquecer que a liberdade dos cidadãos europeus "é filha da justiça que conquistarmos". 

O homem apresentado pelos socialistas europeus (S&D) como candidato à liderança do PE fez um discurso muito centrado na necessidade de a União Europeia mudar e se adaptar através de reformas ao funcionamento das instituições europeias e do reforço de protagonismo do Parlamento Europeu (PE). 

 

"Iniciamos uma legislatura que tem grande responsabilidade. Ninguém se pode contentar com conservar o que existe", disse acrescentando que as "instituições europeias têm de ser repensadas". No entanto, apesar da "imperfeição" e da "necessidade de reformas", sustentou que as instituições comunitárias garantiram, ainda assim, a "liberdade e segurança" no espaço europeu.

Numa intervenção em que falou contra as discriminações sexual e de género e em que pediu mais igualdade, David Sassoli proclamou como desafio para os próximos anos a luta contra o nacionalismo, a busca de respostas para as alterações climáticas, o desemprego dos jovens e a digitalização da economia.

 

"É preciso recuperar o espírito dos pais fundadores, aqueles que souberam pôr de parte as inimizades da guerra, criando um projeto que possa aliar a paz, a democracia e a igualdade."

Nesse sentido, sinalizou em particular a importância de "relançar investimentos que sejam sustentáveis" e que permitam "relançar" a convergência entre os Estados-membros.

Para isso recordou ser determinante estabelecer "regras que aliem o progresso tecnológico à proteção das pessoas", sobretudo através de "tecnologias limpas" para assim responder aos milhões de jovens que saíram às ruas para "lembrar que não existe outro planeta".


O aumento da participação eleitoral nas europeias de 26 de maio foi, para o dirigente europeu transalpino, um sinal transmitido pelos cidadãos europeus que "acreditam neste projeto" aos "muitos que apostaram no declínio" da União Europeia.

Em jeito de súmula, David Sassoli notou que os políticos europeus precisam ter "força para relançar o projeto de integração" e, para que isso aconteça, a Europa não pode ter no seu seio "nenhum governo que renuncie aos valores da dignidade humana".

Foi a deixa para o italiano abordar uma das questões mais fraturantes ao nível europeu e que foi tema-chave na campanha das últimas eleições para o Parlamento Europeu. Sassoli apelou diretamente aos líderes europeus, que chamou de "senhores do Conselho Europeu", dizendo que este PE "entende que chegou a hora de discutir a reforma da Convenção de Dublin", o acordo europeu que regula as normas para o acolhimento de refugiados.  


"Muito está nas vossas mãos e não podem continuar a adiar decisões alimentando a desconfiança dos cidadãos", atirou sublinhando que "o nacionalismo tornado ideologia e idolatria leva a conflitos destrutivos".

 

No âmbito das mudanças e reformas defendidas, Sassoli quer um PE "protagonista de uma democracia europeia ampla" mediante novos e reforçados "procedimentos", até porque é esta a instituição capaz de ser "o garante da segurança dos cidadãos europeus".

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