União Europeia Steinmeier: "Portugal está a começar a andar pelo seu pé"

Steinmeier: "Portugal está a começar a andar pelo seu pé"

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Frank-Walter Steinmeier, elogiou os progressos realizados em Portugal e reconheceu que a Europa tem de fazer muito mais para superar uma nova crise, agora de natureza política, que pode ameaçar a sobrevivência da União Europeia. Pelo meio, avisou a Rússia de que sanções efectivas já estiveram mais longe.
Steinmeier: "Portugal está a começar a andar pelo seu pé"
Reuters
Eva Gaspar 10 de março de 2014 às 14:52

Frank-Walter Steinmeier elogiou esta segunda-feira, 10 de Março, os progressos realizados em Portugal, considerando que o país começa agora a "andar pelo seu próprio pé". 

 

O ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, membro do SPD que integra a coligação governamental liderada pela CDU de Angela Merkel, lembrou o período de governação do social-democrata Gerhard Schröder durante o qual foram feitas grandes reformas, em especial no mercado de trabalho alemão. "Sei bem pela minha experiência que quando se fazem os cortes só se sente a dor, mas os efeitos surgem mais tarde, e é esse desfasamento que faz a política tão difícil".

 

Ainda assim, "Portugal está a fazer grandes progressos e está a começar a caminhar pelo seu próprio pé". "A crise económica está a ser superada, mas temo que a Europa não consiga ultrapassar a crise política que está aí ao virar da esquina", alertou. Falando no II  Fórum Portugal-Alemanha que decorre em Berlim, o chefe da diplomacia alemã admitiu que as forças anti-europeias vão registar "resultados significativos" nas eleições para o Parlamento Europeu de Maio. "Temos de estar atentos a isso mas também às preocupações dos europeus que votam nesses partidos", advertiu.

 

"A nossa geração tem de se esforçar mais para convencer as novas gerações de que a Europa faz parte do seu futuro. E isso exige que a Europa responda aos seus problemas, desde logo ao desemprego. Se não o fizer, estaremos a trair os valores da Europa. Vamos precisar de mais mecanismos conjuntos para proteger os nossos valores. Vamos precisar de mais responsabilidades europeias porque sozinhos não fazemos a diferença", afirmou, sublinhando que isso é especialmente válido para a política externa. 

 

Sobre a Ucrânia, frisou que uma solução diplomática tem de ser explorada até ao limite, mas avisou também que a possibilidade de a União Europeia impor efectivamente sanções à Rússia já esteve mais longe.

 

"É nossa tarefa, por menores que sejam as possibilidades, e elas têm vindo a reduzir-se nos últimos dias, dar espaço ao diálogo. Mas isso exige que a Rússia reconheça as suas responsabilidades". Se houver mais algum passo no sentido da anexação da Crimeia "temos de agir de forma decidida".

 

O ministro alemão falava no âmbito do II Fórum Portugal-Alemanha organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, pelo Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL) e pelo Instituto alemão para a Política Europeia.

 

* - Jornalista em Berlim, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI-UNL)




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