União Europeia Tusk avisa que não há garantias de acordo entre Bruxelas e Londres para evitar o "Brexit"

Tusk avisa que não há garantias de acordo entre Bruxelas e Londres para evitar o "Brexit"

O presidente do Conselho Europeu reconhece que não há ainda qualquer garantia de que o Reino Unido e a União Europeia possam alcançar um acordo que permita evitar a saída britânica da união.
Tusk avisa que não há garantias de acordo entre Bruxelas e Londres para evitar o "Brexit"
Bloomberg
David Santiago 17 de fevereiro de 2016 às 19:26

O Conselho Europeu que vai começar esta quinta-feira em Bruxelas, e que se prolonga para o dia seguinte, principia sem que haja para já qualquer tipo de garantia que os líderes europeus vão chegar a acordo com o primeiro-ministro inglês, David Cameron, sobre as exigências britânicas para que o país continue a fazer parte de União Europeia (UE).

 

Numa carta publicada esta quarta-feira, 17 de Fevereiro, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, reconhece que "não há ainda nenhuma garantia de que chegaremos a acordo" com Londres para que o Reino Unido permaneça entre os actuais 28 membros da UE.

 

"Divergimos nalgumas questões políticas e estou completamente ciente de que será difícil ultrapassá-las", admitiu o político polaco que apelas aos líderes europeus para empreenderem esforços tendo em vista um acordo satisfatório para todas as partes.

 

No entender de Donald Tusk, é a "unidade que nos dá força e não a podemos perder", pelo que "seria uma derrota, tanto para o Reino Unido como para a UE, mas uma vitória para aqueles que querem dividir-nos". Não ficou claro a quem se referiria Tusk, mas fica no ar a ideia de que se refere não só aos partidos nacionalistas cuja popularidade está em crescendo na generalidade dos países europeus, mas também às intenções de Moscovo.

 

Na segunda-feira, Tusk já dramatizava quanto ao processo de negociações em curso entre Bruxelas e Londres, avisando mesmo que o perigo de desmembramento da UE é real.

 

Desta feita, o antigo primeiro-ministro da Polónia nota no referido comunicado que além de ser o tema principal da agenda dos líderes europeus durante a próxima quinta-feira, as questões "técnicas e legais" exigem "tempo" para serem trabalhadas, pelo que o tema permanecerá no topo da agenda durante a manhã de sexta-feira. Esta garantia prévia subentende que as divergências são ainda de monta.

 

Segundo a BBC, a Polónia e três outros países estão a resistir à pretensão britânica de limitar o acesso aos benefícios do Estado Social do Reino Unido por parte de imigrantes comunitários. Grande parte da emigração polaca tem no Reino Unido e na Irlanda os principais destinos. Ainda de acordo com a estação britânica, a França também estará a fazer finca-pé às alterações dos regulamentos do sector financeiro pretendidas por Londres.

 

Assim, o pré-acordo apresentado por Donald Tusk no dia 2 de Fevereiro, e que serve de base para as negociações em curso, e que mereceu a recente aprovação do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e do presidente francês, François Hollande, deverá ser substituído por um novo esboço de acordo ainda antes do início oficial da cimeira de amanhã, adianta a BBC.

 

Também esta quarta-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, que recentemente disse discordar da concessão de privilégios à banca britânica no âmbito do processo negocial, reconheceu que é do interesse germânico que o Reino Unido continue a pertencer à UE, considerando ainda que as exigências britânicas "são compreensíveis e justificadas". Em sentido inverso, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, defendeu que apesar de a "Europa ser um todo com capacidade para se adaptar", "não podemos reformulá-la em função dos nossos interesses particulares, caso contrário a linha está a ser ultrapassada".

 

Donald Tusk afiança que "não temos outra escolha" que não alcançar um acordo.




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