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UE volta a testar "pegar ou largar" no Brexit para pressionar Londres

Enquanto Macron mostra pouca ou nenhuma vontade de conceder um novo adiamento do Brexit se o acordo de saída voltar a ser chumbado pelo parlamento britânico, Merkel diz que tal cenário seria "inevitável". Boris Johnson está em contra-relógio para recolher os apoios necessários para evitar um novo e quarto chumbo.

EPA
David Santiago dsantiago@negocios.pt 18 de Outubro de 2019 às 20:09
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Acentua-se a pressão sobre Londres para que à quarta seja de vez e, como tal, o parlamento britânico possa aprovar a nova versão do acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, que continua com data marcada para 31 de outubro.

Os líderes europeus estão a pressionar os deputados britânicos no sentido da aprovação do acordo de saída ontem validado na cimeira europeia e que amanhã será votado na Câmara dos Comuns.

A pressão assenta na ideia de que Bruxelas não está aberta a conceder um novo e terceiro adiamento da data prevista para a concretização do Brexit. Todavia, apesar das indicações nesse sentido, surgiram várias vozes a rejeitar afastar em definitivo a possibilidade de outro adiamento.

Depois de na quinta-feira, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ter garantido que não haveria lugar a novo prolongamento do artigo 50.º do Tratado de Lisboa, Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, prontificou-se a esclarecer que essa é uma hipótese que não pode ser completamente posta de parte caso o governo britânico o solicite.

Entretanto, já esta sexta-feira foi a vez do presidente francês, Emmanuel Macron, e do primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, voltarem à carga. Macron disse pensar que "um novo adiamento não deve ser concedido" e Varadkar alertou que nenhum deputado britânico deve partir da "assunção de que venha a existir unanimidade [dos 27 Estados-membros] quanto a um adiamento".

Ou seja, os ambos quiseram passar a ideia de que esta é uma espécie de oferta final que se não for aceite pela Câmara dos Comuns implicará uma saída sem acordo.

Diversa foi a opinião expressada pela chanceler alemã, com Angela Merkel a reconhecer que, num cenário de iminência de um Brexit desordenado, será inevitável Bruxelas voltar a adiar a data marcada para a saída.

Depois das garantias de que as versões negociadas pela então primeira-ministra britânica, Theresa May, eram a única via possível para um Brexit consensualizado entre as partes, terem sido mal-recebidas pelos deputados do Reino Unido, contribuindo para os chumbos registados em três votações, Angela Merkel tenta evitar que a votação deste sábado decorra sob a ameaça do "pegar ou largar".

"É uma decisão livre que tem de ser tomada pelo parlamento britânico", sustenta a chanceler.

Boris em corrida contra o tempo
Enquanto de Bruxelas era exercida pressão, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, dava continuidade à corrida contra o tempo em que consiste a busca dos apoios necessários á aprovação, pelo parlamento, da nova versão do acordo de saída, sobre a qual, esta quinta-feira, dizia estar "muito confiante" de que seria ratificada pelos deputados depois destes terem tempo para avaliar o conteúdo do novo compromisso. 

Mas apesar da garantia de confiança, Johnson tem ainda um trabalho complexo e de desfecho imprevisível. Se os 10 deputados unionistas norte-irlandeses votarem contra o acordo tal como anunciou a liderança do DUP, o líder dos "tories" precisa assegurar o apoio dos parlamentares que expulsou da bancada parlamentar dos conservadores após estes terem apoiado a lei que impede uma saída sem acordo.

Mesmo assim, terá ainda de recolher o apoio da ala mais ortodoxa e eurocética dos "tories" (ERG), que tal como o DUP sempre rejeitou a ideia de uma fronteira aduaneira à entrada dos bens na ilha irlandesa. Dependendo do número de apoios que possa acumular junto destes deputados, o primeiro-ministro poderá ainda precisar dos votos de deputados trabalhistas, sabendo de antemão que o líder do "labour", Jeremy Corbyn, já anunciou que votará contra. 

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