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UE convoca cimeira de líderes sobre crise dos refugiados para 23 de Setembro

O presidente do Conselho Europeu agendou para 23 de Setembro uma cimeira de líderes para debater a crise dos fluxos migratórios para a Europa. Este encontro será precedido por uma reunião dos ministros do Interior da União. O objectivo passa por chegar a um acordo sobre a recolocação de 120 mil pessoas.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 17 de Setembro de 2015 às 14:50
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Os líderes dos Estados-membros da União Europeia (UE) vão reunir-se em cimeira extraordinária já na próxima quarta-feira, 23 de Setembro, às 18h de Bruxelas, 17h em Lisboa. A cimeira de líderes foi convocada esta quinta-feira, 17 de Setembro, pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que via Twitter explicou ser necessário "discutir sobre como lidar com a crise de refugiados". 

Depois de a cimeira que na passada segunda-feira, 14 de Setembro, os ministros europeus do Interior e da Justiça não terem chegado a acordo para a distribuição dos cerca de 120 mil refugiados que permanecem em campos de acolhimento em países como a Itália, Grécia ou Hungria, aguardava-se que Bruxelas recorresse a um encontro de alto nível para tentar desbloquear o impasse.

 

O polaco Donald Tusk havia avisado, inclusivamente, ainda na sexta-feira da semana passada, que se a cimeira dos ministros do Interior e da Justiça não permitisse obter "sinais de solidariedade e união" entre os diferentes Estados-membros quanto à adopção de um modelo comum de resposta às crises migratória e de refugiados com que a Europa se depara, tal como se veio a verificar, então ver-se-ia obrigado, ele próprio, a agendar uma cimeira de líderes extraordinária.


O que aconteceu, com o responsável a anunciar a cimeira extraordinária através da sua conta do Twitter. "Convoco uma cimeira extraordinária para quarta-feira, 23 de Setembro, às 18h para discutir sobre como lidar com a crise de refugiados", anunciou Tusk através da rede social. 

Depois de a inflexibilidade demonstrada por alguns estados, segundo palavras de Frans Timmermans, primeiro vice-presidente da Comissão Europeia, não ter permitido chegar a acordo sobre a recolocação de 120 mil refugiados, Bruxelas agendou, logo na terça-feira, um novo encontro dos ministros europeus do Interior para 22 de Setembro, na terça-feira da próxima semana. Na reunião da passada segunda-feira, os governantes europeus não conseguiram ir além do anúncio oficial de que "podemos começar a implementar rapidamente" as medidas necessárias à distribuição de 40 mil refugiados, uma decisão que já havia sido anunciada ainda antes do agravar do problema registado nas últimas semanas. 

 

A discussão desse encontro continuará a ter como base de trabalho a proposta relativa à distribuição dos 120 mil refugiados apresentada pela Comissão Europeia e que visa partilhar, segundo um mecanismo de quotas, o esforço exigido aos Estados-membros no acolhimento das pessoas em questão.

Também na última terça-feira, a Alemanha e a Áustria já tinham defendido ser necessária a realização de uma cimeira europeia extraordinária para ultrapassar o actual impasse decorrente da posição de países como a Hungria, Eslováquia, República Checa, Roménia ou Polónia, que se recusam a aceitar as quotas compulsórias definidas pela instituição presidida por Donald Tusk.

 

É expectável que Berlim, Paris ou Estocolmo, recusem a ideia de um sistema voluntário de acolhimento de refugiados, isto porque temem ser "inundados" por um afluxo ainda maior de migrantes para os seus territórios.

 

Já esta manhã, o Parlamento Europeu votou favoravelmente, com 372 votos a favor, 124 contra e 53 abstenções, a proposta da Comissão relativa à formalização e subsequente adopção de um mecanismo de recolocação dos já mais de 120 mil refugiados em questão.

 

Apesar de ser, juntamente a Itália e a Grécia, um dos países mais afectados pelo crescente número de pessoas a acolher nos seus campos de refugiados, a Hungria recusa a proposta de distribuição da Comissão Europeia. A posição adoptada por Budapeste tem sido mesmo uma das mais duras em relação ao problema, tendo esta semana concluído a construção de um muro de betão e arame farpado ao longo da fronteira com a Sérvia. Ontem, as autoridades húngaras ordenaram mesmo às suas forças policiais para carregarem, com recurso a gás lacrimogéneo e canhões de água, sobre os migrantes que permaneciam do lado sérvio da fronteira com a Hungria. 


(Notícia actualizada às 15h20)

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