Zona Euro Bruxelas aponta para 11 de Maio um acordo final com a Grécia

Bruxelas aponta para 11 de Maio um acordo final com a Grécia

Afinal não será ainda na próxima semana que a Grécia e as instituições credoras deverão alcançar um acordo sobre o plano de reformas a adoptar por Atenas de forma a garantir a última tranche do programa de assistência grego. Fica tudo adiado para 11 de Maio, na véspera de a Grécia ter de pagar 770 milhões de euros ao FMI.
Bruxelas aponta para 11 de Maio um acordo final com a Grécia
David Santiago 17 de abril de 2015 às 16:45

Contrariamente ao noticiado nos últimos dias, não será ainda na próxima semana que a Grécia e as instituições credoras chegarão a um acordo final sobre o plano de reformas a adoptar por Atenas, de acordo com o comissário europeu para os Assuntos Económicos.

 

Assim, não será ainda na reunião do Eurogrupo da próxima sexta-feira, em Riga, nem nos dias subsequentes, que haverá um acordo sobre as medidas que o Governo liderado por Alexis Tsipras terá de implementar para ver libertada a tranche de 7,2 mil milhões de euros prevista no programa de assistência grego e que permanece por desbloquear.

 

Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, explicou esta sexta-feira, 17 de Abril, que "vamos ter duas reuniões importantes". Referindo-se à reunião de Riga, a 24 de Abril, mas também a uma agendada para 11 de Maio, e que "será, certamente, decisiva", assegurou.

 

Este último encontro acontecerá no dia imediatamente anterior à data assinalada para a Grécia devolver 770 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). No dia 1 de Maio, Atenas terá de pagar ao FMI 203 milhões de euros.

 

No mesmo sentido, também o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Scäuble, garantiu "não haver a expectativa" de ser encontrada, em breve, uma solução para o impasse entre a Grécia e os seus parceiros. O governante germânico reconheceu ainda que a Grécia está "numa situação muito complicada". 

 

FMI diz que conversações com Atenas melhoraram mas UE pede à Grécia "um sinal claro"

 

Nos próximos dias, a Grécia terá de apresentar uma lista abrangente de reformas que permitam ao país demonstrar o comprometimento necessário com a aplicação de reformas exigidas pelas instituições credoras.

 

Com a próxima reunião do Eurogrupo marcada para sexta-feira, em Riga, as negociações intensificam-se estando já marcada para este sábado, 18 de Abril, uma nova reunião de carácter técnico para discutir o plano grego.

 

Apesar da nebulosa em torno das negociações, o responsável pelo departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), Poul Thomsen, disse, esta sexta-feira, sentir-se encorajado pela melhoria registada nas conversações multilaterais mantidas com a Grécia.

 

Thomsen acredita que isso é importante para as reuniões dos próximos dias, altura em que terá de se chegar a um entendimento uma vez que os cofres gregos poderão não conseguir assegurar os compromissos financeiros do país até ao final do presente mês de Abril.

 

Atenas terá de refinanciar mil milhões de euros de bilhetes do Tesouro a três meses, cuja maturidade foi atingida esta sexta-feira, e pagar 194 milhões de euros em pagamento de juros a detentores privados de obrigações. A 20 de Abril segue-se um pagamento de 80 milhões de euros ao Banco Central Europeu (BCE) e a 1 de Maio o pagamento de 200 milhões de euros ao FMI. Até ao final de Maio serão pagos mais 700 milhões de euros ao Fundo.

 

O economista do FMI alerta precisamente para a necessidade de a Grécia chegar a acordo antes do aumento significativo de pagamentos que irá enfrentar no Verão. Entre Junho e Julho, somente ao BCE, Atenas terá de devolver 6,7 mil milhões de euros. E terá ainda de devolver mais 1,6 mil milhões de euros ao FMI durante o mês de Junho.

 

Contudo, Poul Thomsen mostra-se optimista ao considerar que o FMI não acredita que Atenas possa sair do euro, algo que seria extremamente penalizador para o país, mas também para a própria União Europeia (UE), sustenta o economista.

 

No mesmo sentido, Pierre Moscovici, que ainda esta quinta-feira assegurou que a UE não está a preparar uma eventual saída grega do euro, revelou hoje que o Executivo liderado por Alexist Tsipras "tem de fazer algo", de forma a mostrar progressos visíveis.

 

"Tem de haver um sinal claro por parte do Governo grego: Agora é preciso acelerar", atirou Moscovici elevando assim a pressão sobre as autoridades helénicas.

 

No entanto, apesar de adiada a data para um acordo final, o responsável da Comissão pelos assuntos económicos garante que o plano para a próxima semana passa por serem alcançados "progressos concretos" no que diz respeito às medidas a adoptar por Atenas.

 

Menos optimista foi a declaração de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, que também já esta sexta-feira assumiu que subsistem "diferenças claras", em determinadas áreas, entre os parceiros europeus, o FMI e a Grécia. 

 

Cenários para a Grécia

A agência Bloomberg fez um conjunto de entrevistas a economistas, investidores e ex-políticos, que definiram 3 cenários possíveis para a Grécia.

 
1º Cenário - "Grexit" evitado: Perante a escolha entre a saída da Zona Euro ou a implementação de medidas de austeridade em troca de novos empréstimos, o primeiro-ministro escolheria esta segunda opção. A presença no bloco do euro seria assegurada mediante novos empréstimos canalizados para a devolução dos empréstimos ao BCE e ao FMI. 
 
2º Cenário – Hotel California: O título da música dos Eagles foi utilizado pelo ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, para explicar que a Zona Euro é como o Hotel California, "podes fazer ‘check out’ quando quiseres, mas nunca poderás sair". Este segundo cenário subdivide-se em dois (A e B), partindo do princípio de que Alexis Tsipras não consegue alcançar um acordo.  

 

A) Salto Mortal: A necessidade de impor controlo de capitais, aliada ao facto de a grande maioria dos gregos querer continuar no euro, obrigam Tsipras a aceitar um compromisso. Tsipras estabelece uma nova coligação de Governo, desta feita com forças pró-europeias. A Grécia permanece no euro, mas sem evitar a reentrada em recessão.   

 

B) Fazer "check out": Com bancos sem financiamento, a situação política deteriora-se e aumentam os protestos nas ruas, provavelmente utilizando a Alemanha como bode expiatório. As sondagens apontariam então pela preferência de uma saída do euro. A Grécia adopta uma nova moeda com apoio dos parceiros europeus e consegue refinanciar-se, junto dos Estados-membro da Zona Euro, em moeda forte. Reestruturada a dívida pública, a Grécia permanece fora dos mercados e sem autonomia, com a maioria dos bancos e empresas a entrarem em "default".    

 

3º Cenário – Catástrofe: A Grécia abandona o euro na sequência de uma entrada impreparada em "default". As consequências económicas são gravosas com o Governo grego a culpar a Alemanha pela situação do país. Tanto bancos como o Governo colapsam, e a economia entre em recessão profunda. O ressentimento leva a Grécia a abandonar a União Europeia, abrindo espaço para o reforço do crescimento de forças extremistas no país. Em última instância, a instabilidade e o caos no país levam à saída grega da NATO e à aproximação à Rússia, a quem solicitam apoio económico. 

(Notícia actualizada às 16h58 com mais informações)




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