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António Costa diz que prevaleceu bom senso e não linha suicida no acordo com Grécia

O secretário-geral do PS, António Costa, congratulou-se com o acordo alcançado no Eurogrupo com a Grécia, afirmando que prevaleceu o "bom senso" e não a "linha suicidária" do Governo português.

Bruno Simão/Negócios
Lusa 20 de Fevereiro de 2015 às 21:41
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"Congratulo-me que, mesmo que provisoriamente, tenha prevalecido o bom senso e não a linha suicidária que o Governo português tem vindo a defender", afirmou António Costa esta sexta-feira.

 

O líder do PS falava aos jornalistas, em Madrid, à entrada para um jantar de recepção da conferência de líderes socialistas europeus, que se reúnem esta sexta-feira e sábado na capital espanhola.

 

"Espero que estes quatro meses permitam a Portugal recolocar-se e não vir a desperdiçar a oportunidade de uma flexibilização da política de austeridade. E que não deixe que essa flexibilização seja aplicada exclusivamente à Grécia ou a qualquer outro Estado-membro", disse.

 

Segundo o secretário-geral do PS, a "austeridade tem fracassado em toda a Europa e em Portugal" e pode medir-se de uma "forma muito clara" no aumento da dívida, na estagnação económica e no aumento do desemprego e da pobreza.

 

"Precisamos de inverter esta tendência (...). É inaceitável que o Governo português, em vez de se empenhar em defender o interesse nacional, defenda os seus interesses partidários, de um dogmatismo ideológico, e recusando acompanhar os sinais e os movimentos de mudança na Europa", declarou o líder do PS.

 

António Costa sublinhou que "é do interesse nacional, para lá da esquerda e da direita, que Portugal tenha uma política económica que funcione. Que seja amiga das empresas, da economia, do emprego" e ajude ao crescimento. "Isso é absolutamente decisivo e esta é uma oportunidade que o Governo português não deve desperdiçar", realçou.

 

O líder do PS referiu que "há sinais positivos por parte da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu de vontade de mudança", para uma política pós-austeridade que António Costa classificou como "a fisioterapia" que se segue aos "traumas e danos causados pelo programa" de ajustamento.

 

"É importante que o Conselho Europeu acompanhe esses sinais, os concretize e lhes dê efectividade. E para isso é decisivo que cada governo que se senta no Conselho Europeu esteja do lado certo e não do lado errado. Infelizmente, o nosso tende a estar do lado errado", sublinhou.

 

Questionado sobre se acompanha o Governo grego quando este defende e pede uma reestruturação da sua dívida, António Costa foi cauteloso.

 

"Eu não aceito que haja um problema grego, há um problema da Europa. O problema da política de austeridade não é só na Grécia, é comum ao conjunto da União Europeia e implica uma reorientação dessa política", disse António Costa, para quem deve criar-se "um novo equilíbrio entre os recursos afectos" ao pagamento da dívida e ao cumprimento de "obrigações constitucionais" [como o pagamento a pensionistas] e recursos para investimento.

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