Zona Euro Banco central da Grécia avisa que falta de acordo vai conduzir à saída do euro e da União Europeia

Banco central da Grécia avisa que falta de acordo vai conduzir à saída do euro e da União Europeia

A autoridade liderada por Yannis Stournaras avisa que um falhanço nas negociações dará início a um percurso "doloroso" que deverá culminar na saída não só do euro, mas também da UE. E lembra que a falta de confiança já provocou a retirada de 30 mil milhões de euros dos bancos gregos desde Outubro.
Banco central da Grécia avisa que falta de acordo vai conduzir à saída do euro e da União Europeia
Rita Faria 17 de junho de 2015 às 12:15

Saída do euro. E, muito provavelmente, da União Europeia. São estas a consequências da eventual falta de acordo entre Atenas e os credores internacionais apontadas pelo banco central grego, que avisa que um entendimento entre o Governo de Tsipras e as instituições internacionais é agora "um imperativo histórico".

No seu relatório de política monetária, publicado esta quarta-feira, 17 de Junho, o banco central sublinha que a Grécia se arrisca a ser considerada apenas como "um país pobre do sul da Europa".

"A incapacidade de alcançar um acordo marcaria o início de um percurso doloroso que conduziria inicialmente a um ‘default’ grego e, depois, à saída do país da Zona Euro e - muito provavelmente - da União Europeia", avisa o banco central da Grécia, no relatório.

A autoridade liderada por Yannis Stournaras alerta que a "crise gerível" que Atenas atravessa tornar-se-á uma crise "incontrolável" com a saída do euro, comportando grandes riscos para o sistema bancário e para a estabilidade financeira.

"A crise de dívida gerível, como a que estamos a atravessar actualmente com a ajuda dos nossos

30 mil milhões de euros

Desde Outubro de 2014 foram retirados cerca de 30 mil milhões de euros dos bancos gregos, de acordo com dados do banco central grego. 

parceiros, iria evoluir para uma crise incontrolável, com grandes riscos para o sistema bancário e para a estabilidade financeira. Uma saída do euro só iria agravar o ambiente já adverso", prevê o banco central.

Para o povo grego, as consequências serão dramáticas, aponta a autoridade. "Tudo isto implicaria uma profunda recessão, um declínio dramático dos níveis de rendimento, um aumento exponencial do desemprego e um colapso de tudo o que a economia grega conquistou ao longo dos anos", elenca o relatório entregue ao Governo e ao Parlamento.

Segundo o banco central, o impacto mais grave e directo da incerteza prevalecente nos últimos meses tem sido, "sem dúvida, a perda de confiança", que se reflectiu na subida dos juros da Grécia e no afastamento das empresas gregas do financiamento nos mercados de capitais.

Outra consequência da falta de confiança é a fuga de capitais. Segundo os dados revelados pelo banco central no relatório, desde Outubro foram retirados cerca de 30 mil milhões de euros dos bancos gregos.

Ao mesmo tempo, a falta de confiança tem dificultado as negociações, "fortalecendo os argumentos daqueles que querem a Grécia fora da Zona Euro". Por essa razão, o banco sublinha que o risco de um "evento de crédito" deve ser removido "de uma vez por todas".

Líderes políticos gregos pedem acordo rápido

Já ontem, vários líderes da oposição apelaram ao Governo grego para que alcance rapidamente um acordo com os credores, sob pena de a situação se tornar "demasiado perigosa".

"Pedi ao primeiro-ministro que considerasse que a economia grega está desesperadamente perto dos seus limites. A sociedade grega está a sofrer com o adiamento constante de um acordo", disse Theodorakis, líder do To Potami em declarações aos jornalistas, no final de uma reunião com Tsipras.

Já a líder do Pasok, Fofi Gennimata, afirmou que "será um desastre" se a Grécia falhar um acordo com os credores. "A Grécia atravessa uma altura crítica e é necessário um diálogo franco", disse a líder do Pasok, citada pelo The Guardian. "O país precisa de um acordo o mais rápido possível".




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