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Banco central grego diz que consenso político é necessário para assegurar crescimento, enquanto Syriza lidera nova sondagem

O banco central da Grécia reviu em alta as perspectivas económicas gregas para 2014 e 2015 mas adverte que é necessário consenso político para assegurar um crescimento sustentável. A um dia da primeira ronda das eleições presidenciais, uma sondagem reitera a liderança do Syriza em eventuais legislativas antecipadas.

David Santiago dsantiago@negocios.pt 16 de Dezembro de 2014 às 16:40
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Apesar da instabilidade política que se abateu sobre a Grécia na semana passada, quando a 8 de Dezembro o primeiro-ministro grego Antonis Samaras anunciou a antecipação das eleições presidenciais para esta quarta-feira, 17 de Dezembro, as perspectivas económicas para o país parecem estar a melhorar.

 

Esta terça-feira, o banco central da Grécia reviu ligeiramente em alta as previsões sobre a evolução do PIB grego, antecipando agora um crescimento de 0,7% em 2014, face à anterior previsão de 0,5%, e um crescimento de 2,5% em 2015. Contudo, a autoridade monetária helénica adverte para a premência de consensos políticos que permitam assegurar a sustentabilidade do crescimento.

 

Segundo citação do Ekathimerini, o banco central grego sustenta que "a eliminação imediata das incertezas na frente doméstica e o compromisso em avançar com reformas [estruturais] são pré-requisitos para o fortalecimento quer do crescimento económico e do emprego quer para a saída definitiva do país deste período de crise". O banco central aproxima-se assim da visão que vem sendo reiterada pelas instituições europeias.

 

Depois de a troika e Atenas terem acordado o prolongamento do programa de assistência económica e financeira à Grécia, que terminava a 31 de Dezembro, até ao final do próximo mês de Fevereiro, subsiste ainda a incerteza sobre a forma como se irá processar o fim do resgate internacional.

 

Há as possibilidades de um novo resgate, a adopção de um programa cautelar ou mesmo a colocação de um ponto final no memorando, possibilidade conjecturável em caso de vitória do Syriza se as eleições legislativas vierem a ser antecipadas.

 

A este respeito, o banco central grego assegura que a Grécia continua a necessitar de um programa sustentável de linhas de crédito cautelares que enquadrem as exigências dos mercados com o final do resgate internacional.

 

Paralelamente às recomendações da autoridade monetária helénica, uma sondagem da GPO para a Mega TV, publicada esta terça-feira, reitera a vantagem do partido de extrema-esquerda Syriza caso sejam convocadas eleições parlamentares antecipadas.

 

Se as legislativas fossem esta quarta-feira, 28% dos gregos consultados votariam no partido liderado por Alexis Tsipras, que compara com a votação de 26,7% atribuída pela sondagem da GPO em Outubro. Ainda assim, também as intenções de voto no Nova Democracia, partido liderado por Samaras, subiram de 20,2% em Outubro para os actuais 23,1%. Assim, o Syriza está 4,9 pontos percentuais à frente do Nova Democracia.

 

Esta sondagem atribui a terceira posição ao Partido Comunista Grego, com 5,5%, seguido em quarto pelo Pasok com 5,1%, o que confirma a tendência de queda do partido que formou o actual Executivo com o Nova Democracia.

 

Mais pacificadora para os mercados e para as instâncias europeias parece ser a percepção dos gregos no que concerne ao líder político que consideram melhor preparado para chefiar a próxima equipa governamental. Samaras recebe a confiança de 44,8% dos gregos enquanto Tsipras é considerado o político melhor preparado para assumir o cargo de primeiro-ministro por 35,4% dos inquiridos. Para 17% dos gregos, nenhum destes políticos está preparado para liderar o Executivo helénico.

 

Esta quarta-feira deverão começar a definir-se os caminhos que a Grécia terá de percorrer no futuro próximo. Se a maioria governamental não conseguir eleger o candidato presidencial Stavros Dimas, deverá haver novas votações no parlamento que, no caso de o Nova Democracia e do Pasok não conseguirem alcançar 180 votos para Dimas, obrigará a antecipar as legislativas. As negociações com a troika estão, naturalmente, dependentes da definição destas incógnitas.

 

Cronologia das presidenciais gregas:
1. A 17 de Dezembro os deputados gregos vão realizar a primeira votação, de três possíveis, para a escolha do presidente helénico. Todos os partidos representados no parlamento têm direito a apresentar um candidato, podendo essa escolha ser alterada no decorrer do processo. Para garantir a eleição do presidente nesta primeira votação é necessária uma maioria de dois terços, ou seja de 200 parlamentares. Se esta não for alcançada ter-se-á de realizar uma segunda votação no prazo de cinco dias;

 

2. A 23 de Dezembro terá lugar uma eventual segunda votação que, no entanto, também requer uma maioria qualificada de 200 deputados. Se não for alcançada a maioria necessária haverá então lugar a uma terceira e última votação no prazo de cinco dias;

 

3. Nesta última votação é exigida uma maioria de três quintos, bastando apenas os votos de 180 parlamentares para eleger o presidente grego. Se o actual governo não conseguir eleger o seu candidato (Stavros Dimas), o parlamento será dissolvido e será anunciada a data de realização de legislativas antecipadas no prazo de dez dias. As hipotéticas eleições parlamentares teriam de acontecer até 21 dias após o dia em que forem marcadas as legislativas antecipadas;

 

4. Assumindo as regras eleitorais gregas, que também obrigam a que as legislativas sejam realizadas num domingo, surgem os dias 25 de Janeiro e 1 de Fevereiro como datas mais plausíveis para as eleições parlamentares gregas caso não se consiga eleger um presidente da república nas três votações já referidas;

 

5. Terminadas as votações parlamentares, se o partido mais votado tiver alcançado maioria, o líder desse partido recebe mandato para formar governo até ao terceiro dia após as eleições. Se não houver nenhum partido maioritário, é o líder do partido mais votado que tem três dias para formar o Executivo, cuja formalização requer posterior aprovação em sede parlamentar;

 

6. No caso de insucesso destas tentativas de formação de governo, é atribuído um prazo de três dias ao líder do segundo partido mais votado para que este forme governo. Caso esta opção não valide um Executivo, surge a última tentativa ao ser atribuído novo prazo de três dias para que o líder da terceira força partidária mais votada forme Executivo governamental;

 

7. Por fim, falhadas todas estas tentativas, e à imagem do sucedido em 2012, os líderes partidários terão de reunir-se com o presidente grego, que no caso deverá continuar a ser Karolos Papoulias, que assumiu funções em 2005, de forma a tentar ser encontrada uma coligação estável de governo. Se tal não for possível, serão agendadas novas eleições legislativas.

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