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BCE critica presidente do Eurogrupo e garante que Chipre é caso único

Benoit Coeuré e Ewald Nowotny, membros do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, garantiram esta manhã que o Chipre é caso único e que o modelo usado neste país não será usado em outros Estados da Zona Euro. Coeuré criticou as declarações de Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 26 de Março de 2013 às 09:38

“Jeroen Dijsselbloem esteve mal em dizer o que disse”, afirmou Benoit Coeuré em declarações à rádio Europe 1, referindo-se às palavras proferidas ontem por Jeroen Dijsselbloem. O responsável afirmou que o modelo utilizado para resgatar os bancos cipriotas podia ser usado para salvar outros bancos europeus em dificuldades.

 

“Se houver risco num banco, a nossa primeira questão deve ser: ‘Ok, o que é que vocês no banco estão a fazer em relação a isso? O que podem fazer para se recapitalizarem?’ Se o banco não o puder fazer, então vamos falar com os accionistas e os obrigacionistas, vamos pedir-lhes para contribuírem para recapitalizar o banco e, se necessário, aos detentores de depósitos não garantidos”, ou seja, às poupanças acima dos 100 mil euros, disse Dijsselbloem.

 

Benoit Coeuré, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, contrariou as palavras de Dijsselbloem e garantiu que a “experiência do Chipre não é um modelo para o resto da Zona Euro”. No Chipre, “a situação atingiu um nível que não existe em mais nenhum país” da região”. “Todos os países têm problemas diferentes – problemas económicos, desemprego – mas nenhum tem a mesma concentração de problemas que o Chipre tem”, alertou o membro do Banco Central Europeu.

 

Ewald Nowotny apressou-se também a desmentir o que foi dito ontem pelo presidente do Eurogrupo, garantindo que o modelo de resgate utilizado no Chipre não servirá de modelo para outros países da Zona Euro. "Penso que ficou claro que o Chipre é de facto um caso especial, que não é modelo para outros casos", afirmou Ewald Nowotny aos jornalistas à margem de uma conferência que está a ter lugar em Praga.

 

Quanto a solução encontrada para o sector financeiro cipriota, Nowotny considera que é a "adequada" mas sublinhou que o importante é que ela seja agora posta em prática.

 

Benoit Coeuré garantiu ainda que a instituição liderada por Mario Draghi fará tudo para preservar a Zona Euro e recordou que o BCE tem apoiado os bancos cipriotas durante meses com “dezenas de milhões de euros”. “O sistema financeiro cipriota manteve-se ‘vivo’ devido à ajuda do BCE”, concluiu Coeuré.   

 

(Notícia actualizada às 10h59 com declarações de Ewald Nowotny)

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