Zona Euro Bruxelas admite que não haja acordo com a Grécia até ao fim do mês

Bruxelas admite que não haja acordo com a Grécia até ao fim do mês

A Comissão Europeia quer que as negociações continuem mesmo sem acordo no Eurogrupo de 24 de Abril. A data mais provável para um entendimento poderá ser adiada para 11 de Maio. Perante o arrastar das conversações, no FMI já se admite saída da Grécia do euro. Já em Atenas, falar-se-á em "off" de "default" e de eleições, para logo serem oficialmente descartados.
Bruxelas admite que não haja acordo com a Grécia até ao fim do mês
Bloomberg
Negócios 14 de abril de 2015 às 17:54

O comissário europeu dos Assuntos Económicos quer as negociações entre a Grécia e os credores prossigam mesmo que não haja acordo no Eurogrupo sobre as reformas que terão de ser levadas a cabo no país – etapa fundamental para que a troika possa desbloquear a última fatia do segundo resgate, de 7,2 mil milhões de euros.

 

"Continuaremos", disse nesta terça-feira Pierre Moscovici aos jornalistas, citado pela Lusa, quando questionado sobre o que acontecerá se na próxima reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro (Eurogrupo) não for possível um acordo preliminar sobre as reformas a implementar na Grécia.

 

Essa eventualidade foi admitida pelo comissário responsável pelo euro. Em declarações citadas pela Bloomberg, retiradas de uma entrevista ao Handelsblatt que será integralmente publicada amanhã, Valdis Dombrovskis diz que o atraso das negociações se deve à incapacidade do Governo grego de apresentar propostas de reforma do sistema pensionista e do mercado de trabalho, domínios que foram considerados fundamentais pelo FMI para manter o país numa trajectória financeira sustentável. Nessa entrevista, Dombrovskis diz esperar da Grécia "compromissos credíveis de reforma", e refere que 11 de Maio será agora a data mais provável para um acordo capaz de desbloquear nova ajuda da comunidade internacional ao país, que está sob resgate desde Maio de 2010.

 

Quanto à reunião do Eurogrupo de 24 de Abril, que terá lugar em Riga, capital da Letónia, o mais provável – diz o comissário do euro - é que se limite a "fazer o balanço dos progressos" até então alcançados.

 

Fontes comunitárias, citada pela Agência Efe, realçam, porém, que, apesar de a Comissão Europeia preferir a continuação das negociações, essa decisão cabe aos Estados-membros, pelo que será o Eurogrupo a decidir o que fazer se não houver conclusões satisfatórias até ao final de Abril.

 

Pierre Moscovici afirmou também hoje que a Comissão espera ter nas suas mãos a lista completa de reformas na próxima terça-feira, 21 de Abril, para que as instituições tenham alguns dias para a analisar antes do Eurogrupo do final da próxima semana. "Queremos ter a 21 de Abril essa lista de reformas detalhada, porque evidentemente essa será uma questão dos Eurogrupo e Ecofin informais que teremos em Riga", declarou.

 

 

FMI já admite saída da Grécia do euro

 

Entretanto, a saída da Grécia do euro deixou de ser tabu no FMI. "Queremos muito um acordo e esperamos alcança-lo", mas se não houver entendimento, a saída da união monetária é um cenário que se abre, admitiu nesta terça-feira, 14 de Abril, o  economista-chefe do FMI. Será um evento muito dispendioso para a Grécia, e extremamente doloroso", mas que pode ser acomodado pelo resto da Zona Euro, dsse ainda Olivier Blanchard,  citado pela Bloomberg.

 

Blanchard falava, em Washington, na apresentação das novas perspectivas macroeconómicas, no âmbito das quais o FMI reviu em baixa, de 2,9% para 2,5%, a previsão de crescimento da economia grega para este ano, antecipando uma aceleração para 3,7% em 2016.

 

A possibilidade de uma crise aberta na Grécia tem vindo a ser crescentemente admitida por fontes do governo grego e das instituições da troika, à medida que se arrastam as negociações e os cofres de Atenas vão ficando vazios.

De acordo com relatos na imprensa grega, Poul Thomsen, que desde 2010 tem acompanhado de perto a Grécia em representação do FMI, terá dito aos directores do Fundo que as negociações "não estão a funcionar", que Atenas continua a negar acesso a dados para perceber qual é a real dimensão das necessidades financeiras do país, pelo que não pode antecipar se será possível concluir com sucesso o actual resgate ao país – etapa fundamental para que possa ser desembolsada a última fatia do empréstimo da troika, de sete mil milhões de euros.

 

Entretanto, o Financial Times citou uma fonte de Atenas, segundo a qual o Governo grego já está a considerar incumprimentos no caso de não haver acordo e que começaria por não pagar dívidas ao FMI já em Maio e Junho. Por seu lado, o jornal alemão Bild avançou que já se preparam eleições antecipadas na Grécia caso as negociações não cheguem a bom porto, informação que o Governo grego desmentiu.

 

Ainda na sua intervenção hoje na Comissão de Assuntos económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, Moscovici disse que as negociações entre os credores e a Grécia "avançam" mas "a um ritmo lento".

 

O comissário francês pediu que não se aborde este tema em modo de confrontação ou com pendor ideológico, pois o que se trata é de conseguir uma "solução comum que permita à Grécia manter-se na Zona Euro em boas condições".

 

A Grécia tem de fazer face a vários compromissos financeiros nos próximos tempos. Antes ainda do Eurogrupo tem de pagar 200 milhões de euros ao FMI e refinanciar 2.400 milhões de euros em dívida de curto prazo. Em Maio, tem de fazer mais dois pagamentos ao FMI, de 200 e 700 milhões de euros, e terá novamente de refinanciar bilhetes do tesouro.




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