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Cavaco Silva: “A Europa está a trilhar caminhos muito perigosos”

O Presidente da República teme que a taxa extraordinária de imposto sobre os depósitos em Chipre abale a confiança em todo o sistema financeiro europeu. Espera que “bom senso” regresse aos líderes europeus.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 18 de Março de 2013 às 17:16
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O Presidente da República mostrou-se hoje preocupado com a solução que está a ser desenhada para enquadrar um resgate internacional a Chipre. “Parece-me que a Europa está a trilhar caminhos perigosos. À vezes penso que o bom senso migrou para outras paragens”.

 

Falando em Roma, onde assistirá à entronização do Papa Francisco e o convidará a visitar Portugal, Cavaco Silva lembrou que a confiança é o alicerce do sistema bancário e financeiro. Se essa confiança for quebrada, os impactos poderão sentir-se muito além das fronteiras cipriotas, advertiu.

 

“Os livros ensinam-nos que quando há falta de confiança num sistema bancário não há quase nenhum país que escape”. O caminho que a Europa está a trilhar é, por isso, “muito perigoso” –repetiu – acrescentando ter a expectativa de que os termos finais de um acordo sejam alterados. “Espero que o bom senso volte aos líderes europeus”, afirmou.

 

Segundo o pré-acordo firmado entre os países do euro e Nicosia, Chipre receberá dos parceiros da união monetária um empréstimo de 10 mil milhões de euros, mas em contrapartida terá de implementar algumas medidas. A que gerou maior polémica é o aumento dos impostos sobre os depósitos, que deverá gerar uma receita de 5,8 mil milhões de euros.

 

A proposta inicial do Governo era a de lançar uma taxa extraordinária de 6,75% sobre depósitos até 100 mil euros e de 9,9% sobre os de valor superior. Perante a comoção da população e a ameaça de chumbo do Parlamento, o Presidente cipriota - que terá recusado a proposta da Europa de não taxar os pequenos depositantes por não querer uma taxa demasiado agravada sobre os maiores, segundo fontes diplomáticas citadas pela Reuters – sugere agora distribuição do esforço diferente. Até 100 mil euros, os depositantes serão taxados em 3%; entre 100 mil e 500 euros "pagam" 10% e é introduzida uma fasquia acima de 500 mil euros, que sofre um impacto fiscal de 15%. O montante da receita fiscal que se pretende angariar é o mesmo da proposta inicial: 5,8 mil milhões de euros.

 

O processo interno de negociação prossegue em Nicosia. Para travar uma fuga de depósitos, os bancos permanecerão encerrados até quinta-feira, 21 de Março.

 

(notícia actualizada às 17h25)

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