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Governo minoritário é a única opção para evitar novas eleições em Itália

As soluções que poderiam colocar um ponto final no impasse político pós-eleitoral em Itália caminham, neste momento, para um beco sem saída. Por um lado, a coligação de centro-esquerda rejeita unir-se a Berlusconi e, assim, conseguir maioria no Senado. Por outro, o líder do Movimento 5 Estrelas rejeita coligar-se com qualquer outro partido.

Reuters
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O partido Ecologista, um dos quatro que compõem a coligação de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani, colocou hoje totalmente de parte a hipótese de uma união com a aliança de centro-direita liderada pelo antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

 

Esta recusa confirma a indisponibilidade já ontem sinalizada por Bersani de se aliar com o centro-direita de Berlusconi. Significa assim que terá caído definitivamente por terra a única opção governativa que garantiria uma maioria no Senado, dada a recusa de Beppe Grillo, líder da terceira força mais votada, de integrar qualquer coligação – à esquerda ou à direita.

 

Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas, voltou aliás hoje a rejeitar a possibilidade de uma coligação com o centro esquerda, vencedor das eleições, que permitisse criar um governo estável, com maioria quer na Câmara baixa quer no Senado. O ex-comediante fez duras críticas a Bersani, tendo mesmo aconselhado o líder do Partido Democrata a demitir-se.

 

Bersani estará assim condenado a tentar formar um governo minoritário, adiando a perspectiva de novas eleições, que poderão não tardar, uma vez que os poderes do Senado são equivalentes aos da Câmara Baixa na aprovação de nova legislação.

 

Ontem, o também líder do Partido Democrata já dera a entender que procurará formar um governo de minoria, pedindo aos outros partidos para apoiarem um programa de cinco pontos, dirigido à promoção do crescimento económico e à criação de emprego.

 

Durante o seu discurso de rescaldo eleitoral, Bersani indicou também que poderá fazer parte da solução mas não liderar o próximo governo, servindo a Itália “como capitão ou marinheiro, mas sem abandonar o barco”, afirmou, abrindo a porta à especulação sobre a possibilidade de um novo governo tecnocrata. Uma espécie de repetição dos últimos dois anos de Mario Monti. Esse cenário parece, porém, pouco provável, tendo em conta o mau resultado de Monti nestas eleições, conseguindo apenas um décimo dos votos.

 
Outro argumento contra um novo acto eleitoral é o tempo que demoraria até ele poder ocorrer. Segundo o Royal Bank of Scotland, as eleições só poderiam ser marcadas para depois de 15 de Maio. "Apenas depois de ser eleito um novo Presidente é que será possível dissolver o Parlamento e marcar novas eleições", escrevem o banco numa nota enviadas às redacções. "Portanto, a data mais próxima para umas eleições legislativas é Maio, o que deixa o país num impasse político e económico de três meses", escrevem os analistas do banco.

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