Zona Euro Novo dia decisivo para a Grécia voltou a não o ser e fica tudo adiado, outra vez

Novo dia decisivo para a Grécia voltou a não o ser e fica tudo adiado, outra vez

As declarações de optimismo sobre a proposta grega, apresentada na segunda-feira, que antecipavam um acordo nesta semana redundaram em novas diferenças que as consecutivas reuniões das últimas horas não permitiram ultrapassar. Um eventual acordo ficou novamente adiado. Já as negociações vão prosseguir.
Novo dia decisivo para a Grécia voltou a não o ser e fica tudo adiado, outra vez
Reuters
David Santiago 25 de junho de 2015 às 17:26

Voltou a não ser desta. A Grécia e as instituições credoras voltaram a não chegar a acordo sobre o plano de reformas que Atenas terá de aplicar para assegurar a liquidez necessária à não entrada em incumprimento.

 

Por isso as negociações vão continuar, tal como afiançou entretanto o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, já depois de o Eurogrupo desta tarde ter terminado na expectativa de uma nova proposta das autoridades helénicas. E embora o líder do bloco do euro, Jeroen Dijsselbloem, tenha entretanto dito que há margem para um acordo ainda esta quinta-feira, 25 de Junho, desde que o Governo grego aceite as propostas das três instituições credoras, tudo indica que as conversações vão prolongar-se pelo menos até ao fim-de-semana.

 

Até porque as negociações foram dadas por concluídas por hoje: "Está tudo por hoje. As instituições e a Grécia vão continuar a trabalhar. O Eurogrupo volta a reunir-se, mas não hoje", avançou via Twitter Alexander Stubb, ministro finlandês das Finanças.

Depois de sucessivas reuniões entre Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, e os líderes da Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), as instituições apresentaram uma contra-proposta ao plano grego entregue na segunda-feira. Apesar de algumas cedências dos credores, a proposta hoje levada pelas instituições ao Eurogrupo não beneficiou da aceitação helénica, pelo que os ministros das Finanças acabaram por discutir dois planos em paralelo, o que acabou por dificultar as negociações. As diferenças em relação à reestruturação da dívida pretendida por Atenas também voltaram a contribuir para um desfecho sem fumo branco.

 

O impasse foi assim reiterado numa altura em que se aproxima a próxima terça-feira, 30 de Junho, dia em que as autoridades gregas têm de devolver perto de 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Entretanto, a imprensa internacional avança que a chanceler Angela Merkel já terá comunicado aos restantes líderes europeus, que também se encontram reunidos em Bruxelas para um encontro ordinário do Conselho Europeu, que é necessário chegar a acordo com a Grécia antes da abertura dos mercados na manhã da próxima segunda-feira. Afigura-se um fim-de-semana intenso de negociações, que segundo adiantam vários órgãos de comunicação social, deverão começar logo na manhã de sábado com nova reunião extraordinária dos ministro das Finanças do euro.

 

Do "passo na direcção certa" às diferenças de sempre

 

O desfecho da reunião do Eurogrupo de hoje começou a desenhar-se ainda esta quarta-feira à noite, quando os ministros das Finanças agendaram nova reunião para hoje. Depois de expressões como "passo na direcção certa" com que a proposta grega apresentada na segunda-feira foi recebida, as negociações, ao nível técnico, de terça e quarta-feira fizeram emergir diferenças que ainda permanecem inconciliáveis: nomeadamente em relação à reforma do IVA e do sistema de pensões, segundo avançou Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos. Depois da evolução verificada em relação à reforma do sistema laboral e apesar de algumas concessões de parte a parte, o IVA e as pensões continuam a ditar o afastamento entre as partes. 

 

Apesar de ainda na segunda-feira o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, se referir ao plano enviado pelas autoridades gregas como "as primeiras propostas sérias em várias semanas", a realidade mostra que a "boa base negocial" não foi suficientemente abrangente de forma a permitir chegar a acordo entre as partes. À entrada para o Eurogrupo de hoje, o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, já revelava que não tinham sido verificados grandes progressos.

 

Contudo, de acordo com as palavras de Varoufakis, as diferenças permanecem substanciais somente para alguns responsáveis. Em relação às duas propostas esta tarde discutidas no Eurogrupo, uma grega e a outra das instituições credoras, o ministro grego notou ser "interessante" que vários ministros tenham criticado tanto a proposta grega como aquela apresentada pelos credores.

 

Contrariamente ao que chegou a ser especulado na segunda-feira, é já certo que o impasse que perdura desde Fevereiro nas conversações entre Atenas e os credores irá conhecer novos capítulos. De um lado, a chanceler Angela Merkel lamenta que a "Grécia tenha recuado em algumas questões", do outro o primeiro-ministro Alexis Tsipras lembra que as negociações são feitas disto mesmo: "desentendimentos e compromissos". Apesar da indefinição, Donald Tusk acredita que ao contrário das tragédias gregas, esta história terá "um final feliz". Agora, é uma questão de aguardar pelo próximo capítulo. 




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