Zona Euro Dijsselbloem fala em "progressos significativos" nas negociações entre Atenas e a troika

Dijsselbloem fala em "progressos significativos" nas negociações entre Atenas e a troika

O presidente do Eurogrupo notou "progressos significativos" nas conversações entre a Grécia e a troika. Dijsselbloem destaca avanços conseguidos em matéria de impostos sobre o rendimento e reforma do sistema de pensões.
Dijsselbloem fala em "progressos significativos" nas negociações entre Atenas e a troika
Reuters
David Santiago 21 de março de 2016 às 15:45

Em declarações feitas no passado domingo, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, sustentou que "as conversações entre o Governo grego e as instituições [da troika] foram produtivas desde que a missão começou após o último Eurogrupo". O político holandês falou mesmo em "progressos significativos" feitos em em questões que continuam "pendentes" como é o caso dos "impostos sobre os rendimentos e a reforma do sistema de pensões".

 

Num documento oficial citado pelo jornal grego Khatimerini, Dijsselbloem deu também conta de que as negociações irão prosseguir durante o período de festividades da Páscoa, tendo ainda anunciado que os chefes de missão da troika para a primeira avaliação ao cumprimento das medidas inscritas no memorando acordado no Verão do ano passado, cuja validação continua pendente, regressarão a Atenas no próximo dia 2 de Abril.

 

Entretanto e de acordo com o diário helénico To Vima, já esta segunda-feira, 21 de Março, durante um encontro realizado entre o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e outros membros do seu Governo, foi discutido o ponto de situação do programa de assistência financeira de até 86 mil milhões de euros firmado entre Atenas e a troika.

 

Segundo o To Vima, neste encontro de membros do Executivo grego ficou clara a ideia de que o Governo de Tsipras e as instituições da troika estiveram já próximos de um acordo final acerca das alterações necessárias aos impostos sobre o rendimento e ao sistema de pensões, embora haja ainda diferenças no que diz respeito ao crédito malparado.

 

Mas apesar deste ponto crucial cujas diferenças entre as partes permanecem ainda por limar, no seio do Governo de coligação entre o Syriza e os Gregos Independentes (Anel) reina a convicção de que a revisão periódica ao cumprimento do programa será concluída em tempo útil.

 

Recorde-se que, inicialmente, a data prevista para a conclusão da primeira avaliação trimestral ao cumprimento do memorando grego era Outubro ou início de Novembro. No entanto, as divergências entre Atenas e a troika, em especial no que toca ao sistema de pensões com as autoridades helénicas a pretenderem apenas cortar as pensões futuras e a as instituições a exigirem cortes também nas pensões em pagamento, impediram a validação da primeira revisão mais cedo.

 

Dois dias depois da conclusão do último Eurogrupo, em 9 de Março a missão da troika regressou a Atenas para retomar as negociações que haviam gerado um impasse devido às divergências entre as partes. Tsipras tinha mesmo responsabilizado o Fundo Monetário Internacional pelo bloqueio nas conversações, assegurando à chegada da troika à Grécia que "a avaliação será finalizada em breve, independentemente das tácticas de bloqueio do FMI".

 

Sem a aprovação desta primeira avaliação a Grécia não verá libertada a primeira parcela de dois mil milhões de euros prevista no resgate acordado no ano passado, isto porque o financiamento então assegurado foi garantido através de um empréstimo-ponte.

 

Por outro lado, a participação financeira do FMI neste resgate depende de dois factores: a aprovação desta primeira avaliação trimestral, o que pressupõe o compromisso das autoridades helénicas em implementar as reformas abrangentes estipuladas no memorando; e a disponibilidade para os restantes parceiros do FMI (Banco Central Europeu e Comissão Europeia) para discutirem o necessário "alívio de dívida que permita à dívida helénica tornar-se sustentável".

 

No Eurogrupo de 7 de Março, o mesmo Jeron Dijsselbloem comprometeu-se a discutir a gestão da dívida grega mediante a assunção de compromissos por parte de Atenas. Além do holandês, também o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, se referiu à necessidade de o Governo grego, apesar dos esforços já feitos, ter de fazer um esforço adicional, com reformas mais profundas. 




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