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Dijsselbloem exige a Bruxelas que "leve a sério" papel de árbitro

"Estou preocupado pela forma como a Comissão está a assumir as suas responsabilidades", disse o presidente do Eurogrupo. Bruxelas decidiu adiar a eventual aplicação de multas a Portugal e Espanha alegando a proximidade das eleições espanholas.

Reuters
Negócios com Lusa 21 de Junho de 2016 às 17:06
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O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, exigiu à Comissão Europeia que "leve a sério" a responsabilidade de actuar como árbitro com os países que incumpriram os limites do défice e que imponha multas.

 

Dijsselbloem falava esta terça-feira, 21 de Junho, em Berlim num congresso anual organizado pela ala empresarial da União Cristã Democrata (CDU) da chanceler Angela Merkel.

 

O presidente do Eurogrupo evitou citar países concretos, mas era evidente que se referia àqueles que Bruxelas sinalizou como infractores recentemente, que inclui Portugal e poderia acabar sancionado.      


"Estou preocupado pela forma como a CE está a assumir as suas responsabilidades", afirmou Dijsselbloem, referindo-se ao papel de "árbitro" que este organismo tem na decisão da resposta institucional aos incumprimentos do limite de endividamento, incluindo multas.


A Comissão decidiu adiar para Julho a eventualidade de propor multas a Portugal e Espanha devido à proximidade das eleições espanholas, que se realizam neste domingo, 26 de Junho.


O presidente do Eurogrupo alertou, em primeiro lugar, para o risco de que se assuma que não é preciso cumprir o combinado e, de seguida, advertiu que não se pode "discriminar" entre países grandes e pequenos. "Por isso advirto: levem a sério!", exortou o político holandês.

Dijsselbloem considerou que as regras se podem aplicar com "certa flexibilidade", mas sem pôr em perigo esta "base de confiança".


Na opinião de Dijsselbloem, os incumprimentos em política orçamental num país podem acabar por atingir outros, fazendo com que "todo o projecto" europeu perca credibilidade e estabilidade.


O presidente do Eurogrupo defendeu não ampliar a UE ou aprofundar a integração política até que se tenham aplicado todas as medidas que se aprovaram ultimamente e se tenha regressado à convergência económica entre os 28, já que desde a crise este processo foi interrompido e inclusivamente invertido.

 

"O processo de convergência foi detido. Regressou a divergência. É crucial, antes de dar novos passos de integração política, regressar à convergência", disse.

 

Dijsselbloem mostrou-se contrário a novas iniciativas como a criação de um orçamento próprio para a zona euro ou de um ministro das Finanças comum para todos os países do euro e defendeu uma "concentração no que realmente importa".

 

O presidente do Eurogrupo também defendeu o "pragmatismo" e o avanço "passo a passo" na união bancária e o aprofundamento do mercado comum e a construção de um mercado de capitais comum. 

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