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Dijsselboem: “A Grécia não vai superar a crise sem novos empréstimos”

O líder do Eurogrupo garante que a remodelação da equipa negocial responsável pelas conversações com os credores não é suficiente para resolver o actual problema. Disselbloem assegura que “a Grécia não vai superar a crise sem novos empréstimos, é esta a realidade”.

17 de Março – Presidente do Eurogrupo foi o primeiro a falar de controlo de capitais na Grécia

“Podemos também olhar para o cenário que tínhamos em Chipre. Tivemos de tomar medidas radicais, os bancos estiveram fechados durante um tempo e o fluxo de capitais dentro e fora do país estiveram sujeitos a condições”
Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 28 de Abril de 2015 às 18:16
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"A Grécia não vai superar a crise sem novos empréstimos, é esta a realidade". Quem o garante é Jeroen Dijsselbloem, líder do Eurogrupo, em declarações concedidas esta terça-feira, 28 de Abril, à RTL Nieuws, e citadas pela agência Reuters.

 

Mesmo reconhecendo que a remodelação promovida pelo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na equipa responsável pelas negociações com os credores, poderá ser positiva, o político holandês preferiu reforçar a ideia de que, per si, esta medida nada poderá resolver, uma vez que a Grécia necessita de novos empréstimos para assegurar a liquidez necessária aos pagamentos de salários, pensões e devoluções de financiamento como os mais de 900 milhões que terá de reembolsar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) entre 1 e 12 de Maio.

 

Depois das críticas direccionadas ao ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, pela forma como tem representado o lado grego nas conversações com os parceiros da Grécia, Tsipras decidiu, aparentemente, retirar poderes a Varoufakis, atribuindo a coordenação das negociações a Euclid Tsakalotos, actual vice-ministro dos Negócios Estrangeiros.

 

No fim-de-semana passado, o presidente do bloco do euro já tinha deixado subentendido que Tsipras deveria assumir maior protagonismo nas negociações, objectivamente em detrimento dos poderes até aqui concentrados na figura de Varoufakis.

 

Todavia, Jeroen Dijsselbloem alerta que o impasse entre Atenas e os credores não poderá ser resolvido por uma mudança de perfil nas negociações, mas por medidas concretas que permitam aproximar-se dos compromissos que as autoridades atenienses estão dispostas a assumir no âmbito dos objectivos definidos pelos seus parceiros europeus.

 

E já depois de garantir que à Grécia não bastaria apenas a libertação dos 7,2 mil milhões de euros relativos à última tranche do programa de assistência, Dijsselbloem asseverou que não haverá acesso a financiamento do Banco Central Europeu (BCE) sem um acordo prévio com os Estados-membros da moeda única.

 

"O governo grego apostou que, ao negociar connosco, o BCE abriria janelas de financiamento, flexibilizando as regras", mas "não haverá um acesso fácil ao financiamento [do BCE] antes de um acordo sólido com o Eurogrupo".

 

Depois de no iníco de Fevereiro, o BCE ter deixado de aceitar dívida grega como colateral para o financiamento do seu sistema financeiro, a instituição presidida por Mario Draghi aprovou, no dia seguinte, uma linha de liquidez de emergência (programa ELA) de 60 mil milhões de euros. Contudo, já na semana passada, a autoridade monetária europeia admitiu que, perante o impasse nas negociações, poderia vir a impor restrições nos empréstimos concedidos aos bancos gregos. Não obstante, a 22 de Abril o BCE aumentou a linha de emergência disponível para os bancos gregos, para 75,5 mil milhões de euros.

 

Mas esta segunda-feira à noite o chefe do Executivo helénico anunciou também que irá promover um referendo popular sobre um eventual acordo que venha a ser alcançado com os credores. Isto se a maior flexibilidade negocial entretanto assumida por Atenas derivar num acordo final onde constem medidas que contrariem, de alguma forma, o prometido pelo Syriza na campanha eleitoral para as legislativas de 25 de Janeiro.

 

Ora, esta não é uma boa ideia, no entender de Dijsselbloem, porque "iria custar dinheiro, criaria uma grande incerteza política, e eu não acho que tenhamos tempo" para mais adiamentos.

 

"E não acho que os gregos disponham de tempo para isso", disse o holandês, que já se mostrou frustrado em diversas ocasiões com o tempo perdido por Atenas ao longo de negociações que se encontram praticamente no mesmo pé que no final de Fevereiro, constata .

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