Zona Euro Dívida da Grécia em cima da mesa do Eurogrupo, mas contingência também

Dívida da Grécia em cima da mesa do Eurogrupo, mas contingência também

Um novo memorando com um plano de contingência caso a Grécia falhe as metas orçamentais vai ser discutido na reunião de segunda-feira dos ministros do Euro. A Grécia prefere chamar plano de salvaguarda. Mas põe a questão central na dívida.
Dívida da Grécia em cima da mesa do Eurogrupo, mas contingência também
Reuters
Negócios 08 de maio de 2016 às 20:47

Não será o ponto essencial da reunião do Eurogrupo desta segunda-feira, mas será um ponto importante na agenda grega. A sustentabilidade da dívida da Grécia vai estar nas mesas de negociações. Garantiu Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, primeiro, e Pierre Moscovici, comissário europeu, depois.

Mas mais do que a dívida grega, estará em cima da mesa um plano para o caso da Grécia falhar as metas do programa de resgate. A Grécia não lhe chama um plano de contingência, prefere chamar-lhe um plano de salvaguarda.

A questão da sustentabilidade da dívida já estava, aliás, na agenda do Eurogrupo: "Os debates centrar-se-ão num pacote abrangente de reformas políticas bem como na sustentabilidade da dívida pública da Grécia. Estes dois elementos têm de ser garantidos antes de se finalizar a primeira avaliação do programa e desbloquear assistência financeira adicional para a Grécia", pode ler-se no "site" do grupo dos ministros das Finanças da Zona Euro.

 

No sábado, em vésperas das reformas do sistema de pensões e nos impostos sobre rendimentos serem discutidas no Parlamento grego, Jean-Claude Juncker afirmou que a Grécia "basicamente cumpriu" todos os objectivos de reforma exigidos pelos credores e, assim sendo, os parceiros da Zona Euro vão começar a discutir uma possível reestruturação da dívida, disse o presidente da Comissão Europeia, numa entrevista ao jornal Funke Mediengruppe, na Alemanha, que garantiu: vão "começar as primeiras discussões sobre como tornar a dívida da Grécia sustentável a longo prazo".


Já este domingo, Pierre Moscovici, comissário europeu dos Assuntos Económicos, garantiu a uma televisão francesa que "vamos começar negociações sobre a dívida, não as vamos terminar", declarou, esclarecendo que há ferramentas "técnicas", incluindo taxas de juro e escalonamento, que poderão ser estudados para aliviar as responsabilidade para com o pagamento da dívida. Na mesma entrevista, o comissário europeu deu outro sinal de confiança: "não vejo uma repetição do drama grego". 

Citado pela Bloomberg também um assessor do governo grego declarou que na segunda-feira a dívida grega será um dos tema em cima da mesa do Eurogrupo que se reúne esta segunda-feira para avaliar as reformas económicas da Grécia.

Um dia depois do parlamento grego discutir as medidas para o sistema de pensões e para o imposto sobre rendimentos. Fora das portas parlamentares, os gregos saíram em protesto. Cerca de 15 mil pessoas saíram às ruas de Atenas e na segunda maior cidade Thessaloniki para protestar contra as novas medidas que a Grécia quer estabelecer para tentar receber a primeira tranche de um resgate acordado no Verão passado de 86 mil milhões de euros. Já à noite, houve confrontos entre manifestantes e polícia que arremessou gás lacrimogéneo, contam os jornais gregos.

 

 

 

As artérias centrais de Atenas foram fechadas ao trânsito automóvel, com um contingente policial grande, ainda que os números estejam longe dos 40 mil protestantes de Fevereiro. O que os organizadores atribuem às férias da Páscoa ortodoxa. O sindicato PAME, ligado ao Partido Comunista, foi, segundo os jornais gregos, o mais bem representado nestas manifestações de domingo, com cerca de 7000 pessoas em Atenas e 6000 em Thessaloniki. Para a noite está também marcado um concerto de protesto na praça Syntagma, perto do Parlamento. O reforço policial junto do Parlamento obrigou, mesmo, ao adiamento no sábado da final da taça grega entre o Olympiakos Piraeus e o AEK.

 

Este domingo, Alexis Tsipras tenta defender no Parlamento as propostas de reformas, que vão levar a uma redução das pensões mais altas. E isso mesmo tem dito o primeiro-ministro grego, dizendo que os mais pobres serão poupados. O Syriza tem uma minoria pequena de 153 lugares no parlamento de 300 assentos.

 

A Grécia tem de implementar um programa de 5,4 mil milhões de euros de austeridade para conseguir o dinheiro dos credores.

Propõe para isso arrecadar mais 200 milhões de euros com a reforma do IRS que prevê, segundo a Bloomberg, que passem a pagar impostos rendimentos anuais até 8.363 euros, quando antes a linha vermelha estava nos 9.100 euros.

 

O FMI tem sido mais veemente a falar da reestruturação da dívida do país, dizendo que o país não conseguirá um saldo orçamental primário positivo de 3,5% em dois anos, conforme estipulado pelo programa europeu. No sábado correu, citado pela Bloomberg, um "draft" de memorando com adicionais medidas de austeridade caso a Grécia não atinja determinadas metas orçamentais, nomeadamente o saldo orçamental primário de 3,5% em 2018. Caso isso aconteça, a Grécia deverá adoptar mais medidas legislativas, de forma "automática, objectiva e credível", diz o documento, que acrescenta que as medidas serão realizadas conforme as falhas orçamentais, até um máximo de 2% do PIB. Já a Grécia deverá também propor um mecanismo de salvaguarda, mas não medidas de contingência, disse o ministro das Finanças grego ao Parlamento. 




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