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Documento alemão e "não" finlandês marcam mais um Eurogrupo sem acordo

Os ministros das Finanças do euro adiaram tudo para este domingo, mas a perspectiva de haver um acordo é agora menor do que se pensava na sexta-feira. A Alemanha chumbou a proposta de Atenas e o Governo finlandês que a Grécia fora do euro.

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Depois do Parlamento grego ter dado luz verde ao Governo de Tsipras para negociar o terceiro resgate com os credores e de as instituições terem dado o aval às propostas apresentadas por Atenas, eram elevadas as expectativas acerca do resultado do Eurogrupo agendado para este sábado.

 

O objectivo passava por fechar um acordo para o início das negociações com vista ao terceiro resgate à Grécia, que seria depois validado na reunião dos líderes europeus este domingo à tarde. Neste cenário mais optimista a cimeira dos líderes da União Europeia, que está agendada também para este domingo, seria cancelada.

 

Mas as expectativas de ser fechado um acordo este sábado foram logo revistas em baixa ainda antes do início do Eurogrupo.

 

Os ministros das Finanças do euro, nas declarações que efectuaram à entrada do Eurogrupo, arrefeceram as expectativas e destacaram a falta de confiança no Governo grego e a credibilidade que tem ao prometer implementar medidas que o povo grego, em referendo, decidiu rejeitar.

 

"Ainda não estamos lá", afirmou o presidente do Eurogrupo. "Há ainda muitas críticas na proposta" da Grécia. Mas acima de tudo, "há uma grande questão de confiança. Pode o Governo grego ser de confiança em relação ao que está a prometer?"

 

Do lado francês vieram as palavras mais optimistas: a proposta da Grécia é "uma boa base para iniciar as negociações". Do lado alemão as mais cépticas: "Temos à nossa frente negociações extremamente difíceis", afirmou o ministro das Finanças da Alemanha, acrescentando que o Eurogrupo não está preparado para aceitar cálculos que não seja credíveis.

 

O documento

 

A posição dura da Alemanha viria a ser evidente mais tarde, quando o jornal alemão  Frankfurter Allgemeine noticiou que o Governo alemão tinha elaborado um documento onde chumbava a proposta grega e apontava para dois caminhos: ou as "autoridades gregas melhoram as suas propostas de forma rápida e significativa" e vendem 50 mil milhões de euros em activos para abater à sua dívida, ou então terão que sair do euro temporariamente (cinco anos) para reestruturar a dívida insustentável. O presidente da Comissão disse na semana passada que está preparado ao detalhe um plano B caso não haja a acordo com a Grécia.

 

O documento não esteve em cima da mesa dos ministros das Finanças do euro, mas terá sido elaborado após uma reunião entre a chanceler Angela Merkel, o ministro Sigmar Gabriel do SPD e o ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble, para avaliar as novas propostas de Atenas.

 

Já depois da notícia do jornal alemão, os media começaram a noticiar como estava a decorrer a reunião, dando conta que os ministros das Finanças do euro estavam a exigir a Atenas que adoptasse mais medidas e as aprovasse de imediato no Parlamento.  

 

Isto devido à falta de credibilidade do Governo grego na implementação de medidas e ao facto de agora estar em causa um terceiro resgate, com financiamento associado de mais de 53,5 mil milhões de euros, quando antes estava em causa o fecho do segundo programa.

 

O Não

 

De acordo com os relatos da imprensa internacional, não é a Alemanha que está a adoptar a posição mais dura contra o terceiro resgate à Grécia.

 

O Governo da Finlândia estará mesmo contra e pretende a Grécia fora do euro. As notícias da imprensa finlandesa dando conta desta posição surgiram já ao final da noite e davam conta do motivo: o partido Verdadeiros Finlandeses ameaça sair do Governo se o Governo que apoia se mostrar favorável a dar luz verde a um terceiro resgate à Grécia.

 

O parlamento finlandês terá mesmo decidido que não aceitará um novo resgate para a Grécia, tendo mandatado o Governo para bloquear um acordo nesse sentido no Eurogrupo.

 

Ainda assim, poderá sempre ser fechado um acordo no Eurogrupo sem o apoio da Finlândia. Os pedidos de resgate ao Mecanismo Europeu de Estabilidade são decididos por unanimidade entre os ministros das Finanças. Contudo esta regra pode, porém, ser substituída por uma maioria qualificada de 85% caso a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu constatem ser necessário uma decisão urgente.  

 

Agora os ministros das Finanças têm nova reunião agendada para as 10h00 (11h00 em Bruxelas) deste domingo, a escassas horas do início da reunião dos líderes da Zona Euro. Uma reunião que se previa decisiva para o futuro da Grécia, mas que poderá mais uma vez ser marcada novo impasse da crise grega.

 

À saída da reunião do Eurogrupo, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem , avisou que "ainda está muito difícil" fechar um acordo.

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