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Draghi desafia os académicos a pensar melhores receitas para a Zona Euro

"Temos navegado em águas largamente inexploradas", disse o presidente do BCE, ao pedir à academia que se envolva mais e estude, em particular, as reformas estruturais e a orientação orçamental que melhor serve à Zona Euro.

Reuters
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 12:01
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"Temos navegado em águas largamente inexploradas", guiados fundamentalmente com base em indicações do departamento de estudos do próprio Banco Central Europeu (BCE), mas é hora de a academia se envolver mais sobre o ponto óptimo da combinação de políticas na Zona Euro. O reconhecimento e o apelo foram feitos nesta quarta-feira, 28 de Setembro, por Mário Draghi.

 

Falando em Frankfurt na abertura da primeira conferência do BCE exclusivamente dedicada à investigação económica, o presidente da autoridade monetária europeia pediu aos académicos que estudem, em concreto, dois domínios que estão fora do campo de actuação do BCE: as reformas estruturais e a orientação orçamental que cada país deve seguir para aumentar o potencial de crescimento e de emprego no conjunto da Zona Euro.

"Sabemos que, se quisermos subir com segurança as taxas de juro a partir do limite inferior, precisamos de reformas estruturais para aumentar o produto potencial na área do euro e as taxas de juro de longo prazo". Contudo, "o termo reforma estrutural continua a ser um pouco vago" e, sendo "politicamente difíceis, é preciso que estejam assentes numa pesquisa rigorosa e com uma sequência optimizada para que possam produzir resultados rápidos e tangíveis", argumentou.

Do mesmo modo, "precisamos de prescrições mais robustas sobre a composição óptima da política orçamental para promover o crescimento", acrescentou, frisando ser fundamental visar "o equilíbrio ideal, em termos de eficiência e equidade".

O apelo aos economistas para que ajudem a orientar a actuação dos governos surge na mesma semana em que Draghi voltou a avisar para o risco de a Zona Euro mergulhar num longo período de estagnação caso estes não façam a sua parte. "Outros actores políticos precisam de fazer a sua parte, perseguindo políticas orçamentais e estruturais que contribuam para uma recuperação sustentável e para o aumento do potencial de crescimento da Zona Euro", disse, numa referência aos governos e parlamentos nacionais.


Mário Draghi desafiou ainda a academia a olhar para os efeitos da política nada convencional que o BCE tem vindo a seguir, com taxas de juro coladas ao zero e compras em larga de escala de activos, entre os quais títulos de dívida pública emitidos pelos governos do euro.


"Sabemos que se os bancos centrais não tivessem agido durante a crise teria havido consequências distributivas não apenas entre os detentores de activos e de dívida, mas também sobre os mais vulneráveis da sociedade que são desproporcionalmente afectados pelo desemprego. Mas pouco se sabe sobre  as consequências distributivas das ferramentas não convencionais que temos usado", admitiu.

Na semana passada, no relatório sobre Portugal, o FMI aflorou esta questão, sugerindo que o programa de compras de dívida pública do BCE está a funcionar mal na economia portuguesa, porque não se notam efeitos relevantes sobre o crescimento, está a fomentar mais o consumo do que o investimento, e as baixas taxas de juro garantidas por Frankfurt aliviaram o sentido de urgência da consolidação orçamental no país.

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