Zona Euro Durão Barroso: Houve um "problema de dignidade institucional" nos resgates da troika

Durão Barroso: Houve um "problema de dignidade institucional" nos resgates da troika

O antigo presidente da Comissão Europeia veio dar razão às críticas de Jean-Claude Juncker. Mas respondeu ao actual líder da Comissão Europeia, ao relembrar que Juncker era então o presidente do Eurogrupo. Em entrevista à TSF, o ex-primeiro-ministro português admitiu que gostaria que o resgate a Portugal tivesse sido menos exigente.
Durão Barroso: Houve um "problema de dignidade institucional" nos resgates da troika
François Lenoir/Reuters
André Cabrita-Mendes 20 de abril de 2015 às 10:18

Durão Barroso veio a público criticar o modelo de actuação da troika. O antigo presidente da Comissão Europeia reconhece que não faz sentido funcionários da troika discutirem com governantes democraticamente eleitos e deseja ver a situação alterada no futuro.

 

"Quando as missões vão aos países, vão funcionários, são técnicos. E é natural que os Governos desses países queiram receber as próprias pessoas. Por isso, havia aqui um problema de dignidade institucional, porque aparecia aos olhos da opinião pública o Governo, às vezes até o primeiro-ministro, a falar com funcionários, que são pessoas sem dúvida muito competentes, mas que não têm a mesma dignidade institucional que tem o responsável democraticamente eleito", disse Durão Barroso.

 

O antigo primeiro-ministro português dá assim razão às críticas de Jean-Claude Juncker e garante que quer ver a situação resolvida no futuro. "Isso é algo que talvez possa ser corrigido. Gostaria que fosse".

 

As declarações foram feitas em entrevista à rádio TSF e divulgadas esta segunda-feira, 20 de Abril.

 

Jean-Claude Juncker reconheceu em Fevereiro que "a troika é pouco democrática, falta-lhe legitimidade e devemos revê-la quando chegar o momento".

 

O actual presidente da Comissão Europeia, e antigo líder do Eurogrupo, reconheceu os erros feitos durante os resgates internacionais em vários países europeus. "Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia e em Portugal e muitas vezes na Irlanda". Para o futuro, considera que é preciso "retirar as lições da história e não repetir os mesmos erros".

 

Na altura, Jean-Claude Juncker deixou também críticas à anterior Comissão Europeia liderada por Durão Barroso, em que "não se falava em absoluto" da Grécia porque "confiavam cegamente na troika".

 

Passados dois meses, Durão Barroso responde ao seu sucessor em Bruxelas, ao sublinhar que as decisões foram tomadas por todos os países "no âmbito do Eurogrupo, por unanimidade, por governos de esquerda ou de direita". E relembra que então "o presidente do Eurogrupo era Jean-Claude Junker".

 

Resgate a Portugal podia ter sido menos exigente

O antigo líder da Comissão Europeia admite que gostaria que o programa de resgate de Portugal tivesse sido menos exigente, mas reconhece que não havia alternativa.

 

"Podemos, claro, discutir se o programa foi ou não foi demasiado exigente. Eu gostaria que tivesse sido menos, mas o dinheiro que os outros países puseram à disposição obrigava a um percurso num determinado período de tempo. E a verdade é que o objetivo do programa foi conseguido", afirmou Durão Barroso.




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