Zona Euro Eurogrupo adia para abril decisão sobre medidas de alívio da dívida grega

Eurogrupo adia para abril decisão sobre medidas de alívio da dívida grega

Os ministros das Finanças da zona euro decidiram adiar para o início de abril a decisão sobre a implementação de medidas de alívio da dívida da Grécia, confirmou o presidente do Eurogrupo.
Eurogrupo adia para abril decisão sobre medidas de alívio da dívida grega
Reuters
Lusa 11 de março de 2019 às 20:28

Em conferência de imprensa em Bruxelas esta segunda-feira, após a conclusão da reunião dos ministros das Finanças do espaço da moeda única, e referindo-se às conclusões da segunda missão de supervisão reforçada à Grécia, Mário Centeno reconheceu que ainda há "pontos cujos detalhes precisam de ser ultimados".

 

"Se todos os compromissos de reforma [assumidos pelo Governo grego] forem cumpridos, o Eurogrupo considerará em abril a implementação de medidas adicionais de alívio da dívida, previstas na nossa reunião de junho", elucidou.

 

Inicialmente, a Comissão Europeia esperava que a Grécia colocasse em prática as 16 reformas setoriais, acordadas com os seus credores, até 11 de março, de modo a desembolsar uma verba de mil milhões de euros para aliviar a dívida daquele país, o que não aconteceu.

 

Questionado sobre se a Grécia poderia perder estes fundos, Centeno esclareceu que esse cenário não se coloca e defendeu mesmo que "não há motivos para [os gregos] se apressarem".

 

O tom otimista foi usado também pelo comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, que considerou que a Grécia "fez muito bons progressos".

 

"Estamos próximos de um acordo sobre o pacote de reformas. A maior parte delas já foi posta em prática e as discussões continuam de forma construtiva sobre as poucas medidas que restam alcançar", prosseguiu, dando um enfoque particular à elaboração de legislação que protege as primeiras habitações em caso de insolvência.

 

Moscovici mostrou-se convicto de que "uma conclusão sobre os pontos que permanecem em aberto em cima da mesa pode acontecer nos próximos dias, de modo a permitir ao Eurogrupo decidir formalmente o desembolso da verba na próxima reunião do Eurogrupo, no início do abril".

 

O comissário francês já tinha revelado, à entrada da reunião do Eurogrupo, que a Grécia cumpriu apenas 13 das 16 reformas acordadas com os credores.

 

A Comissão Europeia apresentou hoje informações ao fórum dos ministros das Finanças sobre as principais conclusões da segunda missão de supervisão reforçada à Grécia, que concretizou, em 20 de agosto, a saída do seu terceiro programa de assistência.

 

A Grécia, o país europeu mais atingido pela crise económica e financeira, foi o primeiro e último a pedir assistência financeira -- e o único "reincidente" --, e a conclusão do seu terceiro programa assinalou também o fim do ciclo de resgates a países do euro iniciado em 2010, e que abrangeu igualmente Portugal (2011-2014), Irlanda, Espanha e Chipre.

 

Face às características únicas da (tripla) assistência prestada ao país e às fragilidades que a sua economia ainda revelava, a Grécia foi e será alvo de uma "vigilância pós-programa reforçada", com missões de três em três meses, para garantir que Atenas prossegue, nesta nova era pós-resgates, uma "política orçamental prudente".




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