Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Eurogrupo admite que Chipre vai ser exemplo a seguir em caso de problemas na banca

O líder do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, diz que em caso de problemas na banca, se os accionistas e os detentores de obrigações não conseguirem garantir a solvabilidade de uma instituição, então “se necessário” poderá recorrer-se “aos depositantes” com poupanças acima dos 100 mil euros.

Reuters
Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 25 de Março de 2013 às 15:24
  • Assine já 1€/1 mês
  • 171
  • ...

“Se houver risco num banco, a nossa primeira questão deve ser: ‘Ok, o que é que vocês no banco estão a fazer em relação a isso? O que podem fazer para se recapitalizarem?’ Se o banco não o puder fazer, então vamos falar com os accionistas e os obrigacionistas, vamos pedir-lhes para contribuírem para recapitalizar o banco e, se necessário, aos detentores de depósitos não garantidos”, ou seja, às poupanças acima dos 100 mil euros.

 

Estas declarações foram feitas numa entrevista à Reuters e apontam para que a Europa esteja a ponderar alargar a solução encontrada para o Chipre a outras situações, caso se demonstre necessário.

 

Esta madrugada, o Chipre chegou a acordo com a troika para receber ajuda financeira dos parceiros europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI). 10 mil milhões de euros será o valor que o Chipre vai receber. Em contrapartida, terá de implementar medidas que resultem em receitas de cerca de seis mil milhões de euros. E uma delas – a principal – é obrigar os depositantes a participarem no programa. Desta forma, ficou acordado que os depósitos superiores a 100 mil euros vão sofrer uma perda de cerca de 30%.

 

O responsável justifica esta tomada de posição com o facto de ser necessário que não sejam os Governos e os contribuintes a assumirem estes custos. E diz que este é o melhor momento para se arriscar neste caminho, uma vez que os mercados acalmaram nos últimos tempos.

 

“Se quisermos ter um sector financeiro saudável e sólido, o único caminho é dizer: ‘Olhem, se correrem riscos, devem lidar com eles, e se não conseguem lidar com eles, então não devem correr riscos”, afirmou.

 

“As consequências podem ser o fim da história [dos contribuintes salvarem bancos], e é uma abordagem que penso, agora que estamos fora do pico da crise, que devemos fazer”, acrescentou em declarações à Reuters.

 

“Significa que tem de se lidar com a questão antes de se estar com problemas. Fortalecer os bancos, reforçar os balanços e perceber que se um banco está com problemas, a resposta já não vai ser automaticamente que resolvemos os vossos problemas. Vamos retirar” os contribuintes da equação. “É a primeira resposta que precisamos. Retirá-los. [Os bancos que] Lidem” com os problemas.

 

“Penso que a abordagem precisa de ser: primeiro lidar com os bancos dentro dos bancos, antes de olhar para o dinheiro público ou qualquer outro instrumento que venha do lado público. Os bancos devem, basicamente, ser capazes de se salvarem ou, pelo menos, reestruturar ou recapitalizarem-se assim que possível”, sublinhou.

 

“Agora vamos por um caminho” em que os envolvidos nas operações assumem parte das perdas e “estou muito confiante que os mercados vão ver esta decisão como uma abordagem sensível, muito concentrada e directa, em vez de mais uma abordagem geral”, acrescentou.

 

“Vai obrigar  todas as instituições financeiras, bem como os investidores, a pensarem sobre os riscos que estão a correr porque agora terão de perceber que isso pode afectá-los. Os riscos podem chegar a eles”, sublinhou.

 

As declarações do líder do grupo dos ministros das Finanças estão em linha com o que já esta segunda-feira, 25 de Março, foi dito pela chanceler alemã. “Sempre dissemos que não queríamos contribuintes a salvar bancos, mas antes bancos a salvar-se a si próprios. Será esse o caso em Chipre”, disse. “Este resultado é o correcto: põe o essencial da responsabilidade sobre os que causaram estes desenvolvimentos errados. É assim que deve ser”, acrescentou, citada pela Bloomberg.

 

(Notícia actualizada às 15h45 com mais declarações)

Ver comentários
Saber mais Eurogrupo Chipre banca Jeroen Dijsselbloem depósitos
Outras Notícias