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Eurogrupo reconhece "progressos", mas avisa que acordo com a Grécia ainda exige "tempo e esforço"

Os ministro das Finanças do euro reconhecem que as negociações estão a correr melhor depois das mexidas decididas por Alexis Tsipras, que diluiu o protagonismo de Varoufakis. Mas é preciso mais avanços nas pensões, na reforma do mercado de trabalho e nas privatizações. Sem um acordo global, não há transferências, repetiram.

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Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 11 de Maio de 2015 às 19:22
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Os ministros das Finanças do euro reconheceram esta tarde que as negociações com o governo grego estão agora a correr melhor depois das mexidas decididas pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras, que optou por diluir o protagonismo do ministro Yanis Varoufakis depois da controversa reunião informal de Riga. 

 

Numa curta declaração divulgada após a reunião mensal que decorreu em Bruxelas, o Eurogrupo adverte, porém, que ainda é preciso "mais tempo e mais esforços" para alcançar um acordo global. E sem um acordo global, não há transferências, repetiu Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo, referindo-se aos 7,2 mil milhões de euros que ainda estão disponíveis no âmbito do actual resgate, que expira no fim de Junho.

 

No comunicado, os ministros saudam os "progressos alcançados até agora", referindo as melhorias introduzidas nos procedimentos de trabalho que consideram terem contribuído para uma "discussão mais substancial". No entanto, ainda é preciso "mais tempo e esforço para ultrapassar as divergências que permanecem".

 

Segundo o comissário dos Assuntos Económicos, o francês Pierre Moscovici, as divergências dizem respeito sobretudo a medidas relacionadas com as pensões, mercado laboral, privatizações e em torno das metas orçamentais para este ano e para o próximo. Já os avanços dizem respeito sobretudo à reforma da administração fiscal, à estratégia para lidar com o crédito mal-parado e ao IVA que, segundo a  imprensa grega, passará também pela elevação da taxa intermédia dos actuais 13% para 16%. Mas sobre as pensões e o mercado laboral "a Grécia ainda precisa de fazer propostas que sejam alternativas às que rejeita", precisou.

 

Ambos os responsáveis avisaram ainda Atenas que não serão iniciadas quaisquer conversações sobre um terceiro resgate na ausência de uma conclusão bem-sucedida do programa de assistência em vigor. "É do nosso interesse comum ter um acordo o quanto antes. Esperemos que isso seja possível antes que o dinheiro [na Grécia] acabe e que fique claro que não teremos negociações sobre um novo programa sem que este seja concluído com sucesso", disse Dijsselbloem. "Temos um método e não vamos queimar etapas", acrescentou Moscovici.

 

Na expectativa de Varoufakis, que falou pouco depois à imprensa, esta declaração do Eurogrupo reflecte o trabalho e as concessões feitas por Atenas, e abre caminho para que o Banco Central Europeu volte a aceitar títulos de dívida grega como garantia nas operações de financiamento à banca. O ministro grego admitiu que a situação de liquidez no país é "grave" e disse esperar que esta seja resolvida "nas próximas semanas".

 

Quanto à eventualidade de o Governo organizar um referendo – opção que tem sido sugerida por membros do Syriza e com o qual o ministro alemão das Finanças disse hoje concordar – Varoufakis disse que se trata de uma matéria que cabe ao primeiro-ministro e ao presidente da República ponderar, não a um ministro das Finanças. "Em termos genéricos, é uma opção que está sempre disponível (...) mas neste momento não está no nosso radar".

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