Zona Euro FMI alerta para “elevado risco de estagnação” na periferia do euro

FMI alerta para “elevado risco de estagnação” na periferia do euro

Países como Portugal poderão cair numa espiral dívida-deflação que terá também consequências nefastas no centro do euro, comprometendo o potencial de crescimento de toda a região.
A carregar o vídeo ...
Eva Gaspar 25 de julho de 2013 às 14:02

O processo de desendividamento dos sectores público e privado, associado a atrasos nas reformas estruturais e à fragmentação financeira (que faz com que o crédito seja muito mais caro em países como Portugal e Espanha do que em França ou Alemanha) “pode conduzir a uma espiral dívida-deflação na periferia”. O alerta é do Fundo Monetário Internacional (FMI) que publicou nesta quinta-feira a sua análise económica anual da Zona Euro, realizada ao abrigo do artigo IV da instituição.

 

Os países nucleares da união monetária, designadamente França, poderão também ser afectados neste cenário de estagnação da periferia, através dos canais de confiança e de comércio, gerando um quadro de elevado e persistente desemprego que afectará fortemente o potencial de crescimento de toda a Zona Euro, acrescenta a instituição liderada por Christine Lagarde.

 

Que fazer no curto prazo? Para os Governos, o FMI deixa genericamente dois conselhos: que prossigam com reformas estruturais (tornando, designadamente, mais flexíveis os mercados de trabalho) e façam uma consolidação das finanças públicas mais doseada e assente na redução estrutural do défice, podendo e devendo as metas nominais serem revistas caso a conjuntura se revele mais degradada. A este propósito, o Fundo calcula que o processo de redução do endividamento dos Estados do euro retire entre 1 e 1,25 pontos percentuais à taxa média de variação do PIB, que voltará a ser negativa neste ano. 

 

Ao BCE, a instituição sedeada em Washington deixa a recomendação de manutenção de baixas taxas de juro (actualmente o valor de referência está em 0,5%), mas sugere também que se estabeleçam valores negativos para as taxas de remuneração dos depósitos que os bancos refugiam em Frankfurt, de modo a incentivar os empréstimos inter-bancários e o crédito a empresas e famílias.

 

Por ora, o Fundo mantém inalteradas as suas mais recentes previsões para a Zona Euro, que voltaram a ser revistas em baixa no início deste mês, antecipando uma nova contracção, agora de 0,6% no PIB, que deverá ser seguida de um crescimento de 0,9% em 2014 e de uma expansão de 1,3% em 2015.

 

 




Marketing Automation certified by E-GOI