Zona Euro FMI deixa elogios ao novo Governo grego e aproveita para criticar reta final de Tsipras

FMI deixa elogios ao novo Governo grego e aproveita para criticar reta final de Tsipras

Os técnicos do Fundo consideram que o atual Governo grego está a dar os passos necessários para melhorar a economia, mas continuam a pedir que as metas do excedente primário sejam menos ambiciosas.
FMI deixa elogios ao novo Governo grego e aproveita para criticar reta final de Tsipras
Reuters
Tiago Varzim 27 de setembro de 2019 às 13:30

Num tom pouco habitual nos documentos do Fundo Monetário Internacional (FMI), os técnicos da instituição de Washington elogiam praticamente em toda a linha a estratégia do novo Governo liderado por Kyriakos Mitsotakis (do partido de centro-direita Nova Democracia, que faz parte do Partido Popular Europeu). Mas reconhecem que a tarefa é "difícil" e que a meta do excedente primário limita o crescimento, lê-se na análise preliminar divulgada esta sexta-feira, 27 de setembro, à economia grega ao abrigo do Artigo IV.


"O novo Governo está corretamente a dar prioridade ao crescimento mas enfrenta uma batalha difícil", afirma o FMI no comunicado preliminar do fim da visita a Atenas, referindo que o atual Executivo "herdou uma recuperação económica tépida" agravada pelo "legado da crise". Em causa estão os elevados níveis de dívida pública, de crédito malparado e de endividamento da economia; a baixa produtividade, a "escassez" de investimento e a demografia adversa. 

Da mesma forma que elogia o atual Governo, o Fundo não se inibe de criticar, ainda que sem o nomear, os passos finais do anterior Governo liderado por Alexis Tsipras (Syriza) na medida em que escreve que houve "reversões de políticas em toda a linha desde que [o país] saiu do programa que aumentaram ainda mais as vulnerabilidades orçamentais, financeiras e externas".

A Grécia saiu do programa de ajustamento em agosto de 2018 e continuou a ser governada por Tsipras até julho, mês em que Mitsotakis ganhou as eleições com maioria absoluta. O FMI critica o anterior Governo por ter "suspendido" as reformas orçamentais estruturais, por ter "cancelado" a reforma das pensões e do imposto sobre o rendimento dos particulares que já estava pré-legislado e por ter "revertido elementos-chave" da reforma laboral de 2011-13 e dos esforços para ampliar a base de incidência fiscal e fortalecer a cultura de pagamento de impostos. 

"Novo Governo merece crédito"
A linguagem usada pelo FMI para o novo Governo é bem diferente, sendo este elogiado em toda a linha na ação de pouco mais de dois meses. "O novo Governo merece crédito por ter desbloqueado as privatizações e por ter forçado a digitalização e desregulamentação para as empresas", escrevem os técnicos, dando nota positiva às propostas para a banca e para o direito laboral. No entanto, o futuro não é assim tão risonho.

O FMI prevê que o PIB cresça "cerca de" 2% em 2019 e 2020, desacelerando para um crescimento de 0,9% no longo-prazo. Com este ritmo de crescimento, "levará outra década e meia para que o rendimento real per capita [da Grécia] atinja os níveis pré-crise", avisam.

Assim, tal como o Fundo tem defendido nos últimos anos, os técnicos defendem que é necessário reduzir a meta do excedente primário (3,5% do PIB) acordado entre os credores europeus e a Grécia dado que afeta o crescimento por não permitir executar o investimento público necessário. O FMI pretende que a despesa pública seja redirecionada para "fortalecer" o crescimento económico ao se focar no investimento e na inclusão social. 

Contudo, não é expectável que existe essa margem para negociar uma meta mais baixa. Na reunião de julho do Eurogrupo, os ministros das Finanças da Zona Euro afastaram essa possibilidade, mantendo-se os compromissos já assumidos. Esta sexta-feira o jornal grego Ekathimerini noticia que o Grupo de Trabalho do Eurogrupo (entidade que prepara as reuniões dos ministros) foi numa missão à Grécia e revelou ter "reservas" quanto à capacidade do país para cumprir as metas orçamentais acordadas com Bruxelas e previstas na proposta do Orçamento do Estado para 2020.

As opiniões expressas neste comunicado preliminar apenas vinculam a equipa do FMI e não o conselho executivo do Fundo. Com base nesta visita, a equipa prepara um relatório completo que terá de passar pelo crivo do conselho executivo, sendo posteriormente publicado.




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