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FMI diz que a Grécia é o país mais incapaz de se ajudar em 70 anos de história

Uma semana depois de terem sido relançadas, as negociações técnicas entre as autoridades gregas e os representantes da troika estão travadas. No seio do FMI, a paciência está a esgotar-se. Já Alexis Tsipras diz que o problema de "liquidez" da Grécia não é técnico mas político, pelo que o quer discutir na cimeira desta semana.

6 de Março – Tsipras em entrevista à Der Spiegel

“O BCE continua a ter a corda no nosso pescoço. Grécia não quer deixar a Zona Euro porque amo a Europa”.
Bloomberg
Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 18 de Março de 2015 às 15:00
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Uma semana depois de terem sido relançadas, as negociações técnicas entre as autoridades gregas e os representantes da troika estão travadas e, segundo relatos das agências internacionais, a promessa de Atenas de concretizar um programa de reformas credíveis – como consta do acordo de 20 Fevereiro a troco da extensão em quatro meses da assistência financeira internacional – ainda não passou disso mesmo, e não terá sequer disponibilizado os números necessários para se traçar um quadro actualizado da situação orçamental e financeira do país.

 

A paciência dos credores com as autoridades gregas parece prestes a esgotar-se, sobretudo no seio do Fundo Monetário Internacional (FMI). A Bloomberg cita dois funcionários segundo os quais, em 70 anos de história, a instituição sedeada em Washington nunca lidou com um país tão incapaz de se ajudar a si mesmo – "the most unhelpful", queixam-se.  Hoje, o The Wall Street Journal citava também fontes próximas da negociação técnica que acusavam os gregos de "não estarem a cooperar". Dizem que a atitude do Governo é inaceitável, na medida em que está a levar unilateralmente para aprovação ao parlamento medidas sem análise de impacto no saldo orçamental que é suposto os credores financiarem.

 

O Parlamento grego vota nesta quarta-feira medidas para lidar com a crise social do país, incluindo subsidiar electricidade, alimentação e alojamento para cerca de 150 mil famílias, metade do originalmente pensado. Sexta-feira, deverá ainda ser votada legislação para permitir o pagamento de impostos em atraso (rondarão 76 mil milhões de euros) em cem prestações.

 

Escreve a agência norte-americana que, entre os técnicos da troika, existe a preocupação crescente de que Alexis Tsipras acabe por forçar a saída da Grécia do euro, na medida em que o seu governo se recusa legislar as medidas consideradas necessárias pelas instituições para desencadear mais apoio financeiro do FMI e da União Europeia. Isto, uma altura em que os cofres públicos estão quase no vermelho, dado que muitos gregos não pagaram em Janeiro e em Fevereiro os impostos devidos, possivelmente à espera da concretização da promessa de amnistia fiscal. Simultaneamente, os bancos continuam a perder depósitos, ainda que a menor ritmo (terão fugido mais de 20 mil milhões de euros desde o início do ano), motivo que levou o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem a referir-se à eventualidade de serem impostos controlos de capitais no país.

 

Tsipras diz que o problema é "político"

 

Para o primeiro-ministro grego, o problema de "liquidez" da Grécia não é, porém, técnico mas político, pelo que o quer discutir na cimeira desta semana em Bruxelas, aparentemente na expectativa de conseguir um tratamento mais generoso por parte do BCE, que, tal como decidira em 2012, deixou de aceitar como colateral (ou garantia) títulos de dívida soberana da Grécia nas operações de financiamento à banca devido ao impasse na implementação do programa de ajustamento. Em alternativa, o BCE tem autorizado o banco central grego a disponibilizar uma linha de financiamento de emergência aos bancos do país, sendo esta, porém, mais cara e limitada.

 

Alexis Tspiras já fez saber que gostaria de se reunir na cimeira em Bruxelas, que decorre nesta quinta e sexta-feira, com o presidente do BCE Mario Draghi, com a chanceler alemã Angela Merkel, com o presidente francês François Hollande, e com o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker.

 

O primeiro-ministro grego quererá que o BCE abra mais a torneira aos bancos e permita que estes comprem mais bilhetes do Tesouro grego. Frankfurt tem avisado que as regras não lhe permitem alimentar bancos quando se suspeita que estes financiam depois Estados à beira da bancarrota e que não estão a seguir os programas de assistência da comunidade internacional, como é o caso da Grécia, cuja dívida é classificada de "lixo" por todas as agências de rating. Até agora, a Grécia tem realizado atempadamente os pagamentos devidos, designadamente ao FMI. Nesta sexta-feira, tem de honrar mais de dois mil milhões de euros de dívida que se vence.

 

Contrariando o que disse o ministro das Finanças Yanis Varoufakis, que admitiu um adiamento ou congelamento de promessas eleitorais, Alexis Tsipras garantiu hoje no Parlamento que o seu governo está "determinado em cumprir os compromissos assumidos durante a campanha".

 

Morgan Stanley, UniCredit e Fitch Ratings foram algumas das casas financeiras que elevaram nos últimos dias o risco de a Grécia sair do euro devido à estratégia negocial de Tsipras que, no seio do Syriza há quem designe de "desobediência controlada". Em entrevista ao Die Welt, o comissário europeu Pierre Moscovici reafirmou que o desejo é manter a Grécia no euro, mas - avisou -"não a qualquer preço".

 

 

 

 

 

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