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Governo grego já confirmou que não vai cumprir pagamento ao FMI

O Wall Street Journal noticia que uma fonte do governo grego confirmou aquilo que já era expectável: esta terça-feira, a Grécia não irá devolver os quase 1,6 mil milhões de euros referentes a obrigações gregas detidas pelo FMI, o que deverá deixar o país em incumprimento face àquela instituição internacional.

Reuters
David Santiago dsantiago@negocios.pt 29 de Junho de 2015 às 19:01
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Uma fonte do governo grego, citada pelo jornal norte-americano Wall Street Journal, confirmou que amanhã, terça-feira, dia 30 de Junho, a Grécia não irá cumprir o pagamento de quase 1,6 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional FMI). Facto que, a concretizar-se, deverá significar a entrada da Grécia em incumprimento face ao FMI, isto quando o país enfrenta graves dificuldades de liquidez. O pagamento pode ser feito até às 18h em Washington DC (23h em Lisboa), cidade onde está sediado o Fundo.

 

Este é o mais previsível desfecho do rompimento, na passada sexta-feira, das negociações entre as autoridades gregas e as instituições credoras. A "decisão unilateral" da Grécia de convocar um referendo popular sobre se o governo helénico deve, ou não, aceitar a proposta dos credores provocou um novo impasse nas negociações que, há precisamente uma semana, haviam dado um "passo na direcção correcta", segundo palavras do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

 

Ora, a não chegada a acordo sobre um plano abrangente de medidas que a Grécia teria de implementar de forma a ver libertada a última tranche de 7,2 mil milhões de euros prevista no programa grego, coloca a Grécia à beira do incumprimento face à instituição presidida por Christine Lagarde. Esta tranche estava prevista no programa grego ainda em curso até amanhã, e que permanece pendente da validação da quinta e última avaliação ao cumprimento do segundo memorando assinado entre Atenas e a troika.

 

As autoridades solicitaram no último sábado que este segundo programa de assistência económica e financeira à Grécia, que já foi prolongado em duas ocasiões - na primeira das quais por dois meses, ainda em Dezembro de 2014, e na segunda por um período de quatro meses, a 20 de Fevereiro último, já com o Syriza no poder – fosse prolongado por um mês para assim poder ser completado o referendo convocado para o próximo domingo, 5 de Julho, e acomodado o seu resultado. Pedido rejeitado pelo Eurogrupo realizado no sábado.

 

Se as dificuldades financeiras da Grécia para cumprir as obrigações junto do FMI, em Junho, já tinham ficado patentes com o recurso às reservas de emergência depositadas no FMI, para então assegurar o pagamento de 750 milhões de euros relativos ao primeiro empréstimo concedido pelo próprio Fundo ainda em 2010, era expectável que a não chegada a acordo com as instituições credoras pudesse significar a incapacidade da Grécia para assegurar o cumprimento das suas obrigações financeiras.

 

Incapacidade que já havia sido admitida pelas autoridades gregas que, já neste mês, acabaram por solicitar ao FMI o pagamento acumulado das quatro parcelas previstas para o presente mês e que totalizam perto de 1,6 mil milhões de euros.

 

Já este domingo, o governo grego, pela voz do primeiro-ministro Alexis Tsipras, anunciou o encerramento dos bancos e da bolsa grega até à terça-feira da próxima semana, dia 7 de Julho. E ainda a imposição de controlo de capitais, impedindo o levantamento de quantias superiores a 60 euros por dia, numa tentativa de suster a fuga de capitais que se intensificou ao longo dos últimos dias perante o agudizar do clima negocial entre Atenas e os credores.

 

Apesar de o FMI dispor de 30 dias para decretar a formalização de incumprimento por parte de um determinado país, na semana passada foi noticiado que Lagarde não iria recorrer a este mês de tolerância, o que representaria a entrada grega em incumprimento. Situação que também coloca desafios à Zona Euro, porque o enquadramento legal da moeda única nada refere quanto à possibilidade de pertença de um país que tenha entrado em "default" técnico. Mario Draghi lembrava, há poucos dias, que uma eventual saída grega do euro representaria, para a Zona Euro, a entrada em "águas nunca dantes navegadas".

 

A situação grega não vai tornar-se mais favorável com o decorrer dos próximos meses deste Verão, estando prevista a devolução de 3,62 mil milhões de euro ao banco Central Europeu já no próximo dia 20 de Julho. BCE que este domingo manteve a linha de liquidez de emergência para a banca grega inalterada nos 89 mil milhões de euros, isto depois de uma fonte oficial grega ter adiantado que Atenas tinha solicitado um novo aumento da ELA, na sigla grega.

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