Zona Euro Grécia deixa cair perdão de dívida e pede reembolsos ligados ao crescimento

Grécia deixa cair perdão de dívida e pede reembolsos ligados ao crescimento

Em entrevista ao FT, o ministro grego das Finanças diz que a Grécia já não pede perdão de dívida, mas quer que os empréstimos concedidos pelos outros Estados europeus sejam reembolsados em função da taxa de crescimento da economia grega. Quanto aos títulos em posse do BCE, quer que sejam trocados por "obrigações perpétuas". Pede ainda uma linha de crédito de 1,9 mil milhões de euros para os próximos quatro meses. E admite que algumas promessas feitas pelo Syriza tenham de cair.
Grécia deixa cair perdão de dívida e pede reembolsos ligados ao crescimento
Reuters
Eva Gaspar 02 de fevereiro de 2015 às 20:09

O ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, deixou cair o pedido do Syriza para que os demais Estados europeus perdoem pelo menos metade dos mais de 200 mil milhões de euros de empréstimos que foram concedidos ao país desde 2010. Em alternativa, pede que o ritmo do reembolso dessa dívida passe a ser indexado à taxa de crescimento nominal da economia grega.

 

Quanto aos 27 mil milhões de euros de títulos gregos em posse do BCE, propõe que sejam trocados por "obrigações perpétuas", ou seja, sem maturidade pré-estabelecida. Pede ainda uma linha de crédito - um "empréstimo ponte" – de 1,9 mil milhões de euros para os próximos quatro meses, que diz coincidir com o valor que o BCE iria transferir ao abrigo da renúncia de lucros potenciais com dívida grega, e prescinde da última tranche de 7,2 mil milhões de euros que estava congelada pela troika.

 

Em contrapartida, Yanis Varoufakis promete aprofundar as reformas no país e apresentar excedentes orçamentais primários da ordem de 1% a 1,5% do PIB. Com esse valor, diz na entrevista ao Financial Times, o novo Governo pretende financiar o Estado e as políticas públicas, embora admita que algumas promessas feitas pelo Syriza ao eleitorado grego tenham de cair.

Não vamos descansar até termos sucesso. Se formos derrotados pelos interesses instalados, será uma honra cairmos depois de termos participado num bom combate. 


 Varoufakis

 

Segundo o que afirmou, esta troca de títulos, assente no que designou de "engenharia inteligente de [gestão] da dívida", evitará que se fale abertamente de "hair-cut", ou seja de perdão no valor nominal da dívida, o que, reconhece, seria  politicamente inaceitável na Alemanha e noutros países credores porque seria interpretado como uma perda total a ser suportada pelos seus contribuintes.

 

Varoufakis esteve hoje em Londres para conversações com o seu homólogo britânico George Osborne, tendo estado igualmente reunido na City. Segundo o "Ekathimerini", o ministro grego tinha encontro marcado com uma centena de investidores e banqueiros, e duas mensagens para lhes enviar: "Estamos muito abertos a investimento (…) e seremos capazes de honrar a dívida grega em termos que não terão qualquer impacto negativo, sobretudo sobre os detentores privados de títulos gregos". Ou seja, a dívida pública grega ainda em mãos do sector privado - e que estará essencialmente na posse de bancos gregos - não será afectada, depois de em Março de 2012 ter sido alvo do maior perdão da História.

O que quer que seja que os nossos parceiros pensem sobre sermos de um partido de esquerda radical, somos sérios nas reformas, somos bons europeus e somos sérios a ouvir.

 
Varoufakis

 

Na entrevista ao Financial Times, o ministro confirmou o calendário que havia apresentado na véspera em Paris, após o encontro com Michel Sapin, dizendo que no fim deste mês, altura em que expira o programa da troika, apresentará aos parceiros europeus o seu plano com todo o detalhe. Por ora, o seu périplo – que está a ser acompanhado por um outro do primeiro-ministro Alexis Tsipras (ambos estarão amanhã em Roma) - serve para apresentar as grandes linhas.

 

"O que eu vou dizer aos nossos parceiros é que estamos a montar uma combinação de excedente primário e uma agenda de reformas (...) Eu vou dizer-lhes: 'Ajudem-nos a reformar o nosso país e dêem-nos algum espaço orçamental para o fazer, caso contrário continuaremos a sufocar e tornar-nos numa Grécia deformada ao invés de uma Grécia reformada".

 

"Independentemente do que possam pensar os nossos parceiros por seremos da esquerda radical, estamos a ser sérios quando falamos de reformas, estamos a ser sérios quando dizemos que queremos ser bons europeus, e estamos a ser sérios quando dizemos querer ouvir. A única coisa da qual não nos afastaremos é da nossa visão de que o programa actual é inexequível e precisa ser repensado a partir do zero ", afirmou Varoufakis. 

 

(notícia actualizada às 21h00)




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