Zona Euro Grécia pediu adiamento do pagamento ao FMI

Grécia pediu adiamento do pagamento ao FMI

Atenas pediu o adiamento do pagamento de 300 milhões de euros que deveria fazer esta sexta-feira ao FMI. Quer usar precedente aberto pela Zâmbia em 1970. Terá de pagar as quatro parcelas que vencem em Junho no fim do mês.
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Eva Gaspar 04 de junho de 2015 às 18:17

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou esta tarde que Atenas lhe pediu para que o pagamento de 300 milhões de euros previsto para amanhã seja feito apenas no fim do mês, juntamente com as demais três parcelas devidas em Junho, que totalizam mais de 1,5 mil milhões.

 

"As autoridades gregas informaram hoje o Fundo que tencionam juntar os quatro pagamentos devidos em Junho num só, que terá agora de ser realizado em 30 de Junho", anunciou o FMI em comunicado assinado pelo seu porta-voz Gerry Rice.

 

"No âmbito de uma decisão do Conselho Executivo adoptada em finais de 1970, os países membros podem pedir para agrupar  vários pagamentos de empréstimos com vencimento num mês (os pagamentos de juros não podem ser incluídos nesse pacote). A decisão destinava-se a atender às dificuldades administrativas de fazer vários pagamentos num curto período", acrescenta o comunicado, numa referência ao precedente aberto então para atender à situação da Zâmbia.

 

A Grécia quer agora fazer uso do precedente do país africano, mas provavelmente será a falta de fundos ou alguma manobra política, e não dificuldades administrativas, a causa próxima deste pedido à instituição liderada por Christine Lagarde.

 

O último pagamento de 750 milhões de euros foi feito ao FMI com dinheiro depositado na própria conta de emergência junto do FMI, e representa uma gota de água quando comparado com os quase nove mil milhões que a Grécia tem de devolver ao Fundo e ao BCE durante este Verão

 

Questionado ontem em Bruxelas, no final de um encontro com Jean-Claude, sobre se a Grécia poderia fazer frente ao pagamento desta sexta-feira, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras respondeu: "Não se preocupem com isso. Já pagámos 7.500 milhões".       

 

O adiamento agora pedido ao FMI sugere que Atenas estará sem recursos. Ontem, em Frankfurt, Mário Draghi avisou que, caso Atenas falhasse o pagamento devido ao FMI nesta sexta-feira, o BCE discutiria na próxima semana a possibilidade de aumentar o desconto ("hair-cut") sobre o valor dos activos gregos dados como colateral, o que, a concretizar-se, dificultaria ainda mais o acesso da banca a liquidez.

 

O prazo de 30 de Junho para pagar 1,5 mil milhões ao FMI coincide com o validade do actual programa de assistência da troika. Depois de quatro meses de impasse, as negociações parecem ter entrado no contra-relógio final. As equipas técnicas da troika terão finalizado uma proposta de assistência financeira para a Grécia que, se for aceite, aprovada no parlamento e progressivamente cumprida, permitirá libertar a última fatia do segundo resgate, de 7,2 mil milhões de euros, e garantir financiamento ao país durante o futuro mais próximo, provavelmente através da transferência para o Estado de parte dos 11 mil milhões de euros do pacote financeiro internacional que ainda estava reservado para a recapitalização da banca.

 

Mas o governo Syriza/Anel continua reticente. Quer evitar mexidas nas pensões, fazer regressar os acordos colectivos ao mercado de trabalho, travar as privatizações, evitar uma subida do IVA e renegociar a dívida pública.  Tudo "linhas vermelhas" que, ao longo da campanha eleitoral de Janeiro último, a coligação de esquerda radical prometeu não pisar. 

 

(Notícia actualizada às 19h00)




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