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Hollande e Merkel pedem propostas "sérias" a Tsipras

François Hollande e Angela Merkel acertaram agulhas esta tarde em Paris, na sequência da vitória do "não" no referendo grego às propostas de acordo. Dizem estar disponíveis para analisar o pedido de terceiro resgate, mas essas negociações exigem propostas "sérias" de Atenas.

Bloomberg
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No rescaldo da vitória do "não" no referendo de domingo na Grécia e da declaração dos maiores partidos gregos de que querem permanecer no euro, os líderes das duas maiores economias europeias deixaram hoje a porta aberta ao prosseguimento de conversações com o governo de Atenas que pede um terceiro resgate à Europa, mas exigem que Alexis Tsipras avance antes com "propostas sérias" que possam ser aceites pelas outras 18 democracias do euro.

 

"Tomámos nota do resultado do referendo e respeitamos o voto do povo grego, porque a Europa é democracia. Ouvimos também a mensagem de todos os partidos democráticos gregos, que se reuniram hoje e que reafirmaram o desejo de que o seu país permaneça na Zona Euro", disse o presidente francês François Hollande numa curta conferência de imprensa que decorreu no Eliseu, sem direito a perguntas, após um encontro com a chanceler alemã Angela Merkel. Neste contexto - prosseguiu - "a porta das discussões mantém-se aberta", mas cabe agora ao governo de Alexis Tsipras "fazer propostas sérias que traduzam essa vontade de ficar na Zona Euro", precisou, ao frisar que qualquer compromisso europeu tem de passar por "solidariedade mas também por responsabilidade".

 

O presidente francês alertou ainda que "não há muito tempo" para concretizar este objectivo, numa alusão ao prazo de 20 de Julho, dia em que a Grécia, que já falhou pagamentos ao FMI, tem de cumprir o pagamento de 3,5 mil milhões de euros ao Banco Central Europeu.

 

"A porta está aberta a conversações, mas neste momento ainda não temos condições para as iniciar. São precisas propostas concretas e de médio prazo que assegurem a estabilidade e a prosperidade da Grécia", secundou Angela Merkel, ao acrescentar que "respeitamos a decisão do povo grego, mas temos de saber qual é a vontade dos outros 18 governos do euro que foram também eleitos democraticamente".

 

O governo de Atenas quer um terceiro resgate dos países do euro, tendo feito um pedido de empréstimo ao Mecanismo Europeu de Estabilidade, depois de ter deixado expirar o prazo de validade (30 de Junho) do segundo programa de assistência no qual ainda estavam disponíveis cerca de 7,2 mil milhões de euros. Isso significa que as negociações sobre montantes (entre 30 e 50 mil milhões de euros é o intervalo de que se fala), duração (eventualmente até ao fim de 2017) e respectiva condicionalidade (reformas e medidas que garantam excedentes orçamentais) terão de ser retomadas praticamente do zero, numa negociação necessariamente mais demorada que terá de ser posteriormente aprovada pelos parlamentos nacionais. 

 

Os líderes dos países da Zona Euro reúnem-se amanhã com carácter extraordinário em Bruxelas, tendo Alexis Tsipras prometido apresentar um conjunto de propostas e de reformas para acompanhar esse terceiro resgate. O encontro será antecedido de uma reunião do Eurogrupo, onde a Grécia será já representada por Euclid Tsakalotos. O até agora ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros coordenava já desde finais de Abril as negociações com a troika, após o primeiro-ministro ter decidido retirar "palco" ao mediático e errático Yanis Varoufakis, que hoje apresentou a sua demissão – em inglês e no seu blogue – dando a entender que o fez a pedido de Alexis Tsipras que quererá um interlocutor mais capaz de "facilitar as negociações" com os europeus e com o FMI.


(Notícia actualizada pela última vez às 20h30)

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