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Impostos sobre as empresas, IVA e pensões continuam a afastar Atenas dos credores

Os credores e o Governo grego continuam divididos sobre as medidas a implementar para obter poupanças orçamentais. Numa resposta às propostas de Atenas, os credores recusam aumentos substanciais nos impostos às empresas e insistem em aumentos mais acentuados no IVA e cortes com as pensões.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 24 de Junho de 2015 às 13:58
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A Grécia deu um passo na direcção correcta com a proposta de reformas que apresentou na segunda-feira, mas não fez ainda o suficiente para que seja possível fechar um acordo. A poucas horas do início da reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro para fechar um acordo que permita à Grécia não entrar em incumprimento, são ainda grandes as divisões entre os credores e o Governo grego.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras já tinha avisado esta manhã que os credores rejeitaram as propostas apresentadas por Atenas na segunda-feira. O Wall Street Journal cita um documento elaborado pelos credores onde é detalhado o que está a causar o afastamento entre as duas partes.

De acordo com o jornal norte-americano, os credores não aceitam um aumento tão acentuado no IRC. O Governo pretende subir a taxa de 26% para 29%, encaixando 410 milhões de euros em 2016. Contudo, os credores querem um aumento mais suave, para 28%.

Os credores estarão também contra a introdução de uma taxa especial de 12% nos lucros das empresas acima de 500 mil euros. Uma medida que Atenas prevê que possa gerar um encaixe de 1.350 milhões de euros.

Também na reforma do IVA existem ainda diferenças substanciais. De acordo com o documento citado pelo WSJ, os credores insistem em medidas que representem um aumento de receita equivalente a 1% (a proposta grega atinge 0,74%), exigindo por isso que mais produtos e serviços (como a restauração) passem para a taxa máxima de 23%.

Outro ponto de discórdia está nas pensões. Atenas pretende encaixar 2.525 milhões de euros em dois anos, mas recorrendo sobretudo a aumentos das contribuições das empresas e dos pensionistas. Os credores insistem que terá que ser necessário aplicar cortes nas pensões em pagamento, sendo que nesta área será o FMI que está a fazer maior pressão.

Na área das poupanças com as pensões os credores estarão também a exigir que um suplemento que está a ser pago aos pensionistas (conhecido por EKAS) seja eliminado desde já, enquanto Atenas só pretende que seja eliminado entre 2018 e 2020.

Entretanto, o jornal grego Kathimerini publicou o documento com as contra-propostas dos credores. O documento é composto por cinco páginas e risca as medidas com as quais os credores não concordam e tem informação sobre o que é desejado pelos credores.

Segundo o jornal grego Enikos, que está a ser citado pelo Guardian, terá sido o FMI a enviar ao Governo grego estas contra-propostas, onde os credores se mostram contra a continuação do desconto aplicado ao IVA nas ilhas gregas (uma das "linhas vermelhas" dos Gregos Independentes, parceiros do Syriza no Governo) e com a data da entrada em vigor nas reformas no sistema de pensões. Atenas quer introduzir as alterações em Outubro e os credores exigem já a 1 de Julho.

As propostas que o Governo grego entregou aos credores na segunda-feira, com impacto orçamental de quase 8 mil milhões de euros, foram bem recebido pelos líderes europeus, que consideraram ter sido dado um passo importante na direcção certa.

O objectivo passa por fechar um acordo no Eurogrupo que inicia às 18h00 desta quarta-feira.

Antes da reunião dos ministros das Finanças tem lugar uma reunião de credores com o primeiro-ministro Alexis Tsipras.

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