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Inauguração da nova sede do BCE marcada por protestos. 80 polícias feridos e 550 pessoas detidas

Violentos protestos marcaram, esta manhã, a inauguração da nova sede do BCE em Frankfurt. Segundo dados da Bloomberg, 80 polícias ficaram feridos e cerca de 550 pessoas foram detidas na manifestação convocada por sindicatos alemães e pela aliança de esquerda "Blockupy".

Rita Faria afaria@negocios.pt 18 de Março de 2015 às 19:40
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Carros em chamas, pedras disparadas como mísseis, slogans anticapitalistas gritados por centenas e centenas de manifestantes. Foi este cenário hostil que serviu de pano de fundo na inauguração da nova sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, às 10 horas desta quarta-feira, 18 de Março, que acabou por ficar marcada por violentos protestos nas imediações do edifício.  

 

Os manifestantes, que encheram as ruas da mais recente morada do banco central, destruíram dezenas de carros das forças de segurança e entraram em confrontos com a polícia enquanto marchavam em direcção ao novo edifício, que teve um custo total de 1,3 mil milhões de euros. De acordo com a Bloomberg, nos confrontos, pelo menos 80 polícias ficaram feridas e 550 pessoas foram detidas.

 

O protesto foi convocado por sindicatos alemães e pela aliança de esquerda "Blockupy" que reúne dezenas de grupos de activistas de toda a Europa. Os seus membros incluem um dos maiores sindicatos alemães, United Services Union, conhecido por Verdi, o partido alemão com assento parlamentar Die Linke e o Syriza, o partido anti-austeridade grego que lidera agora o governo de Atenas.

 

O tamanho e a intensidade dos protestos mostram que este movimento alemão está de volta depois de uma onda anterior de activismo que se esgotou em 2012. Mas, ao contrário do que aconteceu nessa altura, os protestos desta quarta-feira tiveram um cariz violento, reflectindo a polarização política que tem crescido na Zona Euro, depois de quatro anos de austeridade, sobretudo na periferia, e elevado desemprego na região.

 

Não obstante, o grupo garantiu tratar-se de um protesto pacífico, a favor da democracia e contra a austeridade. De acordo com os relatos da imprensa internacional, um dos slogans mais ouvidos foi: "Guten Morgen/Good morning! Our time to act has come" (Bom dia/Chegou o nosso tempo de agir).

 

A escolha do local para a manifestação foi justificada por representantes do grupo com o facto de o BCE ter passado a simbolizar os cortes na despesa e as reformas que estão a ser forçadas na Grécia. Segundo o The Guardian, a aliança Blockupy estima que cerca de 10 mil manifestantes tenham aderido aos protestos.

 

"O nosso protesto é contra o BCE, como um membro da troika que, apesar de não ser eleito democraticamente, dificulta o trabalho do governo grego. Queremos que a política de austeridade acabe", referiu Ulrich Wilken, um dos organizadores da manifestação, em declarações à Reuters.

 

O ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, condenou o caos, dizendo que, apesar de as pessoas terem o direito de demonstrar as suas convicções, "o tumulto puro vai além de todos os limites na batalha pela opinião política".

 

Nova sede do BCE ocupa antigo mercado e tem capacidade para 2.900 funcionários

 

A cerimónia de inauguração da nova sede do BCE começou com Mario Draghi a agradecer aos convidados "por estarem presentes apesar da difícil situação lá fora". "Encontramo-nos no local do antigo mercado de frutas e verduras de Frankfurt, um edifício estatal dos anos 20 do século passado", descreveu o responsável no seu discurso.

 

A nova sede tem capacidade para 2.900 funcionários, e está localizada em Ostend, na zona Leste de Frankfurt, ocupando o lugar do "Grossmarkthalle" – um antigo mercado da cidade.

 

Na cerimónia de inauguração estiveram presentes os actuais membros do Conselho do BCE, assim como o seu antigo presidente, Jean-Claude Trichet, e o anterior vice-presidente, o grego Lucas Papademos.

 

Draghi: "As pessoas estão a passar por momentos muito difíceis"

 

"A unidade europeia está a ser pressionada", afirmou Draghi, durante o seu discurso na inauguração da nova morada do BCE. "As pessoas estão a passar por momentos muito difíceis. Alguns, como muitos dos manifestantes que estão ali fora hoje, acreditam que o problema é que a Europa está a fazer muito pouco".

 

E acrescentou: "Mas a Zona Euro não é uma união política do tipo em que alguns países pagam permanentemente pelos outros".

 

No entanto, o presidente da autoridade monetária defendeu também que o novo edifício, na capital financeira do euro, "é um símbolo do que a Europa pode atingir em conjunto e do porquê de não podermos arriscar a separarmo-nos ".

 

Mario Draghi sublinhou ainda que a nova sede do banco central será conhecida inevitavelmente como "a casa do euro" proporcionando um "fundamento para que o BCE cumpra o seu mandato de estabilidade dos preços" para todos os cidadãos da Zona Euro.

 

"O euro, a nossa moeda única, converteu-se no símbolo mais tangível da integração europeia, uma peça da Europa acessível e valiosa para todos nós", acrescentou o responsável, no discurso inaugural.

 

 

 

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