Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Irlanda rejeita programa cautelar e regressa sozinha ao mercado

O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, acabou de anunciar que o país não vai recorrer a um programa cautelar assim que terminar o programa de ajustamento em Dezembro deste ano. A decisão já foi transmitida a Angela Merkel e será oficializada no Eurogrupo desta tarde.

Bloomberg
Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 14 de Novembro de 2013 às 11:51
  • Assine já 1€/1 mês
  • 74
  • ...

Enda Kenny (na foto), primeiro-ministro da Irlanda desde o início do programa de ajustamento da troika, anunciou esta quinta-feira, 14 de Novembro, às 11h40, que o país não vai recorrer a um programa cautelar.

 

Numa declaração enviada à Câmara Baixa do Parlamento irlandês (Dail Eireann), Enda Kenny revela que o seu Governo "decidiu que a Irlanda vai sair do programa de ajustamento a 15 de Dezembro [deste ano], sem recorrer a um programa cautelar". 

 

"Este é o último de uma série de passos tomados para recolocar a Irlanda em

Esta é a decisão certa para a Irlanda e este é o momento certo para tomar esta decisão.
 
Enda Kenny
Primeiro Ministro da Irlanda

condições económicas, orçamentais e de financiamento normais", disse o primeiro-ministro irlandês, acrescentando que "a partir de 2014, a Irlanda estará em condições de se financiar, normalmente, nos mercados".      

 

Enda Kenny revela que esta decisão já foi transmitida à chanceler alemã, Angela Merkel, e que será comunicada esta tarde aos membros do Eurogrupo pelo ministro das Finanças, Michael Noonan. 

 

Rejeitando o programa cautelar, a Irlanda poderá ficar, à partida, sem possibilidade de aceder ao programa de Transacções Monetárias Definitivas (OMT, na sigla original), do Banco Central Europeu, que prevê que a autoridade monetária compre títulos de dívida pública de países em dificuldades momentâneas no mercado secundário (onde os investidores trocam títulos de dívida entre si).

 

Enda Kenny: "Abandonamos o programa de ajustamento numa posição forte"

 

São três os motivos que levam o governo irlandês a tomar a decisão de não recorrer a um programa cautelar. Em primeiro lugar, Enda Kenny destaca que "há três anos que o seu país se prepara para um regresso normal aos mercados de financiamento em 2014", tendo, neste momento, uma "reserva de liquidez superior a 20 mil milhões de euros".

 

Por outro lado, a estratégia orçamental levada a cabo pelo Executivo está em marcha: "O défice orçamental tem vindo a cair rapidamente" e a dívida pública [que no final de 2012 estava nos 117% do produto interno bruto] "vai começar a cair em 2014". 

 

No próximo ano, o Governo irlandês espera alcancar um défice orçamental de 4,8% do PIB e atingir um défice primário equilibrado ou, mesmo, excedentário. Para 2015, a meta do défice é inferior a 3% do PIB.

 

O Eurostat (instituto de estatística europeu) divulgou esta quarta-feira, 13 de Novembro, que a Irlanda atingiu um excedente externo de 2,3% (valor médio dos últimos três anos, de 2010 a 2012). 

 

Na vertente económica, Enda Kenny destaca que a economia irlandesa voltou a crescer e recuperou competitividade. Os mais recentes dados do Eurostat sobre a evolução das economias da Zona Euro mostram que o PIB irlandês cresceu 0,4% no segundo trimestre quando comparado com os três meses anteriores e caiu 1,1% face ao período homólogo (ainda não foram divulgados os dados referentes à economia irlandesa no terceiro trimestre de 2013).  

 

"A confiança na Irlanda melhorou consideravelmente nos últimos meses e as taxas de juro da dívida pública estão, actualmente, em níveis muito confortáveis", afirmou o primeiro-ministro, reconhecendo, porém, que o país ainda tem um longo caminho a percorrer. "Nem a decisão de hoje, nem a saída do programa de ajustamento em Dezembro, significa o fim das dificuldades económicas. (...) Não significa que os nossos desafios económicos e financeiros chegaram ao fim".

 

Enda Kenny revela, assim, que o seu Governo irá anunciar, brevemente, uma nova estratégia económica de médio prazo que defina um caminho de crescimento económico sustentável e que permita reduzir a dívida do Estado para níveis sustentáveis.    

 

"O destino do nosso país nunca mais será sacrificado em nome da especulação, da ganância e dos ganhos de curto prazo", escreveu, por fim, Enda Kenny. 

 

(Notícia actualizada às 13h12)

Ver comentários
Saber mais Irlanda Enda Kenny programa cautelar
Mais lidas
Outras Notícias