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Kenneth Rogoff defende outra abordagem para resolver a crise grega

O professor de Harvard e antigo economista-chefe do FMI considera que o caminho até aqui seguido na Grécia já provou não dar resultado. Por isso sugere mesmo que no lugar de novos empréstimos, poderia ser concedida ajuda humanitária à Grécia.

Negócios 02 de Julho de 2015 às 14:49
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O professor de Economia e Política Pública na Universidade de Harvard, e também antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kenneth Rogoff, quer uma mudança de abordagem na forma como está a ser tratada a questão em torno da crise na Grécia.

 

Rogoff começa por dizer que "sem reformas estruturais, há poucas possibilidades de a economia grega conseguir uma estabilidade sustentável e crescimento". E explica que tal também se deve à indisponibilidade dos credores continuarem a emprestar quantias significativas de dinheiro a uma "Grécia por reformar".

 

Num artigo publicado no sítio do Project Syndicate, o economista considera que "a pertença da Grécia à União Europeia garante aos credores uma significativa vantagem" em termos negociais, mas que não é suficiente para alterar a premissa essencial que, no entender de Rogoff, se prende com o facto de a Grécia "permanecer um Estado soberano e não um Estado sub-soberano".

 

Para Rogoff os melhores programas de ajustamento estrutural são aqueles em que "o governo do país devedor apresenta as mudanças políticas e o FMI ajuda a delinear um programa personalizado e assegura a cobertura política à sua implementação".

 

Pelo que a "imposição desde fora é simplesmente uma opção ineficiente", explica o professor de Harvard que realça que as reformas que venham a ser prosseguidas na Grécia têm de contar com o apoio do governo e eleitorado gregos.

 

Kenneth Rogoff alude a um relatório publicado pelo FMI em 2013 sobre a experiência da instituição na Ucrânia onde se concluía que "a falta de compromisso do governo com o processo de reformas era, praticamente, uma garantia de que não funcionaria".

 

O antigo economista-chefe do FMI sustenta que a abordagem desse relatório, de que nesses casos o ideal é ir providenciando o dinheiro à medida que as reformas são implementadas – como está a acontecer na Grécia – já provou não ser a melhor no caso grego. Até porque "se não há vontade interna de manter as reformas, elas serão rapidamente desvirtuadas".

 

E apesar de reconhecer algum crédito às críticas que à esquerda acusam o FMI e o banco Mundial de estarem capturados por "fundamentalistas neoliberais", classifica-as de "exageradas". "Se as reformas estruturais resultam simplesmente na redução de salários e preços, isso pode ser, na verdade, difícil de, no curto-prazo, contrariar a queda na procura agregada".

 

Contudo, Rogoff defende que pode ser feita uma crítica idêntica a qualquer outra alteração de políticas quando "mal concebida, [porque terá um efeito] contra-produtivo". A "verdade" para este professor de Economia é que "o caminho para a Europa exige alcançar maior produtividade".

 

Assim, "o melhor caminho poderá passar pela contabilização de perdas pelos privados em vez de ser o sector público a assumir essas perdas". Rogoff deixa ainda um conselho aos credores: utilizarem a paixão pelas reformas estruturais nos seus países, "em particular através do melhoramento da regulação financeira".

 

A terminar a opinião publicada no âmbito do Project Syndicate, Rogoff nota que olhando para as dificuldades que a Grécia tem demonstrado para assegurar o objectivo de prosseguir reformas tendentes à modernização do seu Estado, assim garantindo a permanência pretendida na Zona Euro, conclui que então "deve ser reconsiderada a abordagem" até agora seguida.

 

Por fim, o professor de Harvard termina escrevendo que "em vez de providenciar um novo programa com mais empréstimos, talvez fizesse mais sentido providenciar uma sincera ajuda humanitária" à Grécia, independente da permanência ou não do país no bloco do euro.

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