Zona Euro Martin Schulz fala em governo tecnocrata na Grécia se o “sim” vencer o referendo

Martin Schulz fala em governo tecnocrata na Grécia se o “sim” vencer o referendo

O presidente do Parlamento Europeu defende que se o “sim” sair vencedor do referendo de domingo, o governo liderado por Alexis Tsipras terá de apresentar a demissão. Num cenário destes, o social-democrata alemão considera que seria necessário um governo tecnocrata de transição que assegurasse a continuação das negociações com os credores.
Martin Schulz fala em governo tecnocrata na Grécia se o “sim” vencer o referendo
Reuters
David Santiago 02 de julho de 2015 às 20:33

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, aludiu esta quinta-feira, 2 de Julho, à eventual necessidade de um "governo tecnocrata" na Grécia no caso de o "sim" vencer o referendo do próximo domingo. Em declarações ao jornal alemão Handelsblatt, citadas pelo britânico Telegraph, o político social-democrata defendeu que se a população grega votar favoravelmente à proposta apresentada pelos credores, então o primeiro-ministro helénico, Alexis Tsipras, deve apresentar a sua demissão.

 

Se tal acontecer "serão necessárias novas eleições", acrescentou Martin Schulz que defende a constituição de um governo tecnocrata que pudesse assegurar o normal decurso das conversações entre Atenas e as instituições credoras até que fosse encontrado um novo e legitimado governo resultante do já referido eventual novo processo eleitoral.

 

"Se este governo de transição chegar a um acordo razoável com os credores, então o tempo do Syriza terá chegado ao fim. Então a Grécia teria outra oportunidade", resumiu o político germânico aludindo ao facto de o Syriza manter o apoio declarado ao voto no "não" a um acordo com as três instituiçoes, FMI, Comissão Europeia e BCE.

 

Num tom bastante crítico face à governação do Syriza, Schulz evidenciou que a sua confiança na "vontade negocial" do Executivo grego "bateu no fundo" e classificou Tsipras de "demagogo". Para Martin Schulz, o actual primeiro-ministro grego "é imprevisível e manipula a população grega de uma forma que se aproxima de características demagógicas".

 

A concretização da sugestão de Schulz não configuraria um cenário desconhecido na Grécia. Entre Novembro de 2011 e Maio de 2012, o tecnocrata e independente Lucas Papademos chefiou um governo tecnocrata na Grécia no período que entre a demissão do então líder do Pasok, George Papandreou, e a chegada ao poder do conservador Antonis Samaras.

 

A espoletar aquele governo de perfil técnico esteve também a pretensão de Papandreou de convocar um referendo sobre o segundo memorando proposto pela troika. Antes de firmar o segundo resgate, Papandreou queria consultar os cidadãos gregos sobre se aceitavam, ou não, as medidas de austeridade suplementares face ao que havia sido implementado durante o primeiro resgate de 2010.

 

Todavia, a pressão internacional, quer política quer dos mercados, acabou por provocar a queda de George Papandreou e a constituição de um governo de índole tecnocrata. O móbil foi o de assegurar o normal curso das negociações com a troika e uma transição pacífica até à realização de novas eleições, que o Nova Democracia viria a vencer e que ditariam também a primeira hecatombe eleitoral do Pasok. Também então, foram vários os líderes europeus que avisaram que o referendo proposto pelo líder do Pasok deveria avaliar "se a Grécia quer ficar no euro", segundo palavras na altura proferidas pela chanceler Angela Merkel.

 

Outro exemplo relativamente recente de um governo tecnocrata na Europa aconteceu em Itália quando, em Novembro de 2011, Silvio Berlusconi se demitiu da chefia do governo transalpino após ter perdido o apoio de uma maioria parlamentar. Na sequência da queda de "Il Cavaliere", Mario Monti foi nomeado primeiro-ministro pelo presidente da República Georgio Napolitano, chefiando um Executivo técnico até Abril de 2013, depois de encontrado um governo resultante das legislativas realizadas em Fevereiro do mesmo ano.




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