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Ministro das Finanças da grego: São possíveis bons acordos se inseridos em estratégia progressista

O ministro das Finanças da Grécia defendeu em entrevista à Lusa a possibilidade de bons acordos caso sejam inseridos numa "estratégia progressista", numa referência às negociações que Atenas mantém com os credores internacionais.

Reuters
Lusa 10 de Janeiro de 2016 às 12:41
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"A minha perspectiva é que um acordo é tão bom quanto seja possível inseri-lo numa estratégia progressista, permitir que exista espaço para aplicar as medidas que pretendemos", assinalou Euclid Tsakalotos, ao enunciar diversas medidas que o Governo do Syriza, o partido da esquerda radical grego, no poder, pretende aplicar nas áreas da saúde ou educação.

 

"Assim, um acordo é tão positivo quando seja possível incorporá-lo numa estratégia progressista. O facto de a situação ter mudado em Portugal, poder mudar em Espanha, sugere que existe uma agenda progressista em muitos governos", prosseguiu, em entrevista à Lusa, ao recordar aos desfechos eleitorais nos dois países ibéricos, em Outubro e Dezembro do ano passado.

 

O responsável do Governo grego iniciou na sexta-feira em Roma uma deslocação a diversas capitais europeias, para abordar com os seus homólogos a actual situação do terceiro programa de resgate de cinco anos à Grécia, anunciado em Julho do ano passado e avaliado em 86 mil milhões de euros, e ainda a questão da dívida grega.

 

Após a sua curta vista a Lisboa no sábado, onde se reuniu com o ministro das Finanças, Mário Centeno, viaja ainda para Paris, Helsínquia, Amesterdão e Berlim. O roteiro apresentado por Atenas nas negociações com Bruxelas, e ainda temas como a união bancária, desemprego e investimento, dominaram as conversações.

 

"Julgo que também é importante para o povo português, há uma grande diferença se existir um governo progressista. Primeiro, porque a esquerda em geral não tem estado no Governo nos últimos 20, 30 anos, e há muitas pessoas que acreditam que podemos fazer o que os nossos opositores não podem fazer", prosseguiu, antes de associar os anteriores governos na Grécia a "políticas clientelistas" e a práticas de corrupção.

 

"Não estamos envolvidos nisso, representamos uma nova frescura política e podemos fazê-lo. Estamos comprometidos, e as primeiras medidas legislativas do Syriza foram sobre a crise humanitária, a tentativa de alterar o sistema de impostos numa direcção mais progressiva, uma ampla agenda que os nossos opositores nunca aplicariam", salientou.

 

As discussões em torno do fundo de privatizações constituem para o ministro grego a comprovação da possibilidade de acordos menos punitivos, num país que entrou no seu sexto ano consecutivo de recessão.

 

"Nas negociações sobre o fundo de privatizações, que está incluído no programa de resgate, conseguimos alterá-lo para que seja um fundo de privatizações e também de investimento, foi negociado com Angela Merkel, François Hollande e Donald Tusk na noite de 12 para 13 de Julho onde as discussões começaram às seis da tarde de domingo e terminaram na segunda-feira de manhã às 09:30", recordou.

 

Os representantes dos credores – Banco Central Europeu, Comissão Europeia, Mecanismo Europeu de Estabilidade e Fundo Monetário Internacional (FMI) – regressam a Atenas em 18 de janeiro para uma primeira avaliação semestral do programa, e onde também deverá ser abordada a dívida grega, que atinge quase 200% do PIB.

 

Tsakalotos, responsável por uma pasta decisiva no primeiro governo da esquerda radical na Europa desde a II Guerra Mundial, em coligação com os Gregos Independentes (Anel, direita soberanista), já dirigia desde abril de 2015 as negociações políticas com as instituições europeias.

 

"Grande parte das discussões foi sobre como alterar este fundo [de privatizações], para organizar os ativos públicos gregos, desenvolvê-los, quer para pagar a dívida e também contribuir para o desenvolvimento da sociedade grega. Não penso que um governo de direita fizesse isso, são apenas a favor das privatizações enquanto tal", concluiu o economista de 56 anos, formado em Oxford e eleito deputado pelo Syriza em 2012.

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