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Moody's: Taxa pode levar à fuga de depósitos dos países periféricos

A agência Moody's afirmou hoje que a decisão do Eurogrupo de impor uma taxa sobre os depósitos no Chipre pode levar à fuga de depósitos nos bancos dos países periféricos e levar a cortes nos ratings da banca europeia.

Moody’s reduz "rating" de 28 bancos espanhóis até quatro níveis
Lusa 18 de Março de 2013 às 12:25
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"Mesmo que os riscos neste caso sejam de alguma forma limitados pelo facto dos problemas dos sistema bancário - exposição à economia grega e mercado imobiliário nacional - serem claramente limitados ao Chipre, a decisão de impor perdas aos depositantes sinaliza a disposição dos decisores europeus de causar disfunções mais vastas no mercado financeiro para impor outras decisões de política", diz a agência numa nota hoje publicada.

 

A Moody's considera que esta medida pode levar à fuga de depósitos dos países periféricos, entre os quais se inclui Portugal, e minimiza a tentativa dos decisores políticos europeus - caso do comissário europeu para os assuntos económicos, Olli Rehn - de garantirem que se trata de uma decisão limitada ao Chipre e que não seria aplicável a outros países, garantindo que esta pode ter implicações negativas na avaliação que fará dos bancos europeus.

 

"Apesar das declarações dos decisores políticos minimizarem a sua natureza inédita, esta decisão é significativa e pode ter implicações negativas para os racionais que suportam os ratings dos bancos na Europa", diz a mesma nota.

A Moody's afirma também que as implicações desta decisão sobre os ratings dos países ainda não são claras e que esta decisão de impor perdas aos depositantes revela um "afastamento significativo da posição de apoio no passado por parte das autoridades nacionais e do Eurogrupo - incluindo o recente apoio aos bancos espanhóis e à seguradora holandesa SNS Reaal - nos quais as perdas foram contidas".

 

Ainda assim, a decisão do resgate financeiro evita, para já, o risco de uma reestruturação da dívida pública do Chipre, segundo a Moody's.

 

"O acordo demonstra o desejo dos decisores políticos de evitar mais falências de países para além da Grécia, e é consistente com as declarações nos últimos meses que garantem que este era um caso único. Ao evitar o risco de uma reestruturação de um país, este acordo reduz o risco de contágio aos mercados de financiamento de dívida pública", acrescenta.

 

O acordo alcançado na madrugada de sábado pelo Eurogrupo vai permitir ao país receber um empréstimo de 10 mil milhões de euros das entidades internacionais, mas também obrigada à aplicação imediata de uma taxa sobre todos os depósitos bancários que atinge os 6,75% até aos 100 mil euros e passa a 9,9% acima dos 100 mil euros.

 

Os depositantes deverão ficar em troca do corte nos seus depósitos com acções dos bancos.

 

Para além disto, os juros que seriam pagos pela aplicação das poupanças dos clientes em depósitos são retidas na fonte, como imposto também, e o país é obrigado a aumentar a taxa de IRC de 10% para 12,5%.

Hoje, o Governo cipriota terá acordado com os credores um projecto de lei que prevê taxas mais baixas para os pequenos depositantes, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

 

Citando, sob anonimato, fontes próximas do processo negocial, a EFE revela que o parlamento do Chipre deverá votar hoje um novo projecto que prevê um imposto extraordinário de 3% para os depositantes com poupanças inferiores a 100 mil euros, em vez dos anteriores 6,7%, e de 12,5% para os depósitos superiores a 100 mil euros em vez dos anteriores 9,9%.

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