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Napolitano enfrenta a difícil tarefa de encontrar um Governo (estável) para Itália

Giorgio Napolitano assume esta segunda-feira a presidência italiana. É a primeira vez que um Presidente da República é reeleito no país. Perto de completar 88 anos, Napolitano enfrenta a difícil tarefa de encontrar um novo Governo. As negociações começam já amanhã.

Ana Luísa Marques anamarques@negocios.pt 22 de Abril de 2013 às 16:03
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“Giorgio Napolitano cedeu às pressões e concordou em cumprir um segundo mandato. Esta situação não tem precedentes na história italiana e mostra quão profunda é a crise política em Itália. Incapazes de superar o impasse e eleger um novo Presidente da República, os principais partidos viraram-se para o velho Presidente e imploraram-lhe para ficar”, escreve o think tank britânico Open Europe numa análise intitulada “ And Italy's new President is...the old one! What happens next?”

 

A seguir, Napolitano enfrenta a difícil tarefa de encontrar um novo Executivo para o país. Itália está sem Governo há oito semanas, ou seja, desde as inconclusivas eleições legislativas que deram a maioria a Pier Luigi Bersani na Câmara dos Deputados e a Silvio Berlusconi no Senado.  

 

Para o think tank Open Europe a reeleição de Napolitano é uma “boa notícia” porque vai acelerar o processo de escolha de um novo Governo. “A grande notícia é que esse Governo deverá, quase de certeza, incluir Silvio Berlsuconi”, ironizou o think tank.

 

Robert O’Daly, analista da The Economist Intelligence Unit, citado pelo “The Guardian”, escreve que a reeleição de Giorgio Napolitano “ajudou a tranquilizar os investidores: estes aguardam que a formação de um novo Governo de coligação (centro esquerda/centro direita) ocorra nos próximos dias e seja liderado por Giuliano Amato” (a tranquilidade dos investidores foi visível, esta manhã, na queda dos juros da dívida italiana).

 

“O impasse político que teve lugar após as eleições de Fevereiro teve, porém, as suas consequências nos partidos do centro-esquerda, o maior grupo no Parlamento italiano”, alerta O’Daly. “O centro-esquerda está profundamente dividido e o maior partido – o Partido Democrata – corre o risco de se fragmentar em vários partidos”, em especial após o abandono de Pier Luigi Bersani.

 

Alguns meios de comunicação italianos avançam que Giorgio Napolitano impôs duas condições para se manter no cargo de Presidente da República. Por um lado, Napolitano terá exigido um mandato mais curto (em Itália, os mandatos presidenciais são de sete anos o que obrigaria Napolitano a manter-se no cargo até aos 95 anos) e, por outro, “e mais importante, terá exigido a formação de um Governo de unidade nacional apoiado pelo Partido Democrata, pelos partidos que apoiaram Mario Monti nas eleições legislativas de Fevereiro e pelo Partido da Liberdade de Silvio Berlusconi”, escreve o Open Europe.  

 

De acordo com os jornais italianos, as negociações para a formação de um novo Governo começam já esta terça-feira, 23 de Abril, e há dois favoritos na corrida ao cargo de primeiro-ministro: Giuliano Amato, 75 anos, que já ocupou o lugar duas vezes, e Enrico Letta, braço direito de Pier Luigi Bersani. “É muito provável que o novo Governo seja uma mistura de políticos e de tecnocratas. Deverá dar prioridade às questões políticas, em detrimento das económicas” mas “é muito pouco provável que não complete o mandato de cinco anos”, escreve o Open Europe.

 

Federigo Argentieri, professor na Universidade de John Cabot em Roma, afirma que o problema não está na formação de um Governo de coligação, mas sim na capacidade que esse Executivo terá em implementar as reformas necessárias. "Qualquer Governo de coligação vai ter um tempo de vida muito curto", antecipa Federigo Argentieri, citado pela agência Bloomberg.

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