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Passos Coelho: “Portugal foi o país que mais esforços fez para ajudar a Grécia”

À saída da cimeira europeia, o primeiro-ministro português fez questão de sublinhar a diferença nos percursos até agora percorridos pela Grécia, em contraponto com aqueles feitos por países como Portugal ou a Irlanda. Passos Coelho notou ainda que Portugal foi o país que mais ajudou, em termos relativos, a Grécia, e lembrou que Atenas beneficiou de condições que mais nenhum país teve.

Miguel Baltazar/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 12 de Fevereiro de 2015 às 22:07
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"Portugal foi o país, que em relação ao seu Produto [PIB], fez mais esforços para ajudar a Grécia, pelo que teríamos todo o interesse no sucesso do programa" de assistência financeiro grego, considerou o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho depois de concluída a cimeira europeia que decorreu esta quinta-feira em Bruxelas.

 

Depois de revelar não ter tido a oportunidade "de falar pessoalmente" com Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, e numa altura em que se discutem as formas de enquadramento do apoio europeu a Atenas, Passos Coelho sublinhou que "a Grécia foi o único país que desde o início da crise conheceu condições únicas e excepcionais e, apesar disso, ainda não conseguiu fechar o seu programa". 

 

Como exemplos elencou: "a Grécia tem mais de 11 anos para pagar os empréstimos europeus (Banco Central Europeu e Comissão Europeia); um período de 10 anos em que não vai sequer pagar juros; um serviço de dívida em percentagem do PIB muito inferior ao de Portugal e Espanha". Por estas razões, o político português concluiu que "as pressões financeiras sentidas para pagar juros e a dívida não serão com certeza questões que estejam a criar um problema à Grécia".

 

Classificando de "frustrante" o actual panorama vivido na Grécia, decorrente da vitória do Syriza nas legislativas helénicas e subsequentes exigências, o presidente do PSD lamentou que se tenha chegado "a uma situação em que as circunstâncias se estão a agravar sem que uma causa exógena o esteja a impelir". No que pareceu uma referência à inicialmente declarada rejeição, pelo novo Governo grego, de negociar com a troika. Como tal, Passos espera que haja "uma convergência" de intenções para que todo o esforço vivido pelo povo grego não seja deitado fora".

 

Pois se Passos Coelho reconhece que a solução para as divergências entre a Grécia e os seus credores terá de passar seguramente "pelas instituições", não poder+a deixar de passar "pela própria Grécia".

 

Recordando que na reunião extraordinária do Eurogrupo desta quarta-feira não havia sido "possível chegar a um acordo sobre o prolongamento do programa de ajustamento", o primeiro-ministro luso insistiu na ideia de que "quaisquer alterações" aos objectivos definidos nos memorandos devem ser feitas "no quadro do programa [de assistência]". Até porque no entender de Passos Coelho, deve ser garantida "a monitorização dessas mesmas obrigações" acordadas.

 

A última tranche de 7,2 mil milhões de euros prevista no segundo memorando assinado entre Atenas e a troika não foi libertada, depois de os credores e o anterior Governo grego, então liderado pelo conservador Antonis Samaras, não terem chegado a acordo quanto ao alcance das reformas estruturais inscritas no Orçamento do Estado grego para 2015.

 

Para o chefe da maioria governativa portuguesa, a solução para a Grécia passa mesmo pela conclusão do programa em curso na Grécia até ao final de Fevereiro. Ou pela adopção de um programa cautelar. O que exigiria uma negociação entre Atenas e troika quanto a novas medidas de austeridade a aplicar na Grécia. "Uma negociação de um programa cautelar como o anterior governo pretendia, poderia permitir uma progressiva normalização do seu financiamento externo", garante Passos.

 

Houve ainda tempo para vincar aquilo que Passos Coelho considera serem as diferenças notórias entre Portugal e a Grécia. Porque "está muito evidente o que nos separa da Grécia", começou por afirmar para depois lembrar que "há hoje uma consciência muito nítida, quer nas instituições, quer nos mercados, que tornam todo o trabalho que fizemos em Portugal muito credível".

 

"Conseguimos recolocar, tal como a Espanha e a Irlanda, as nossas economias no caminho do crescimento", concluiu.

 

(Notícia actualizada pela segunda vez às 23h)

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