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Passos Coelho: "Regras da Zona Euro não permitem perdão de dívida à Grécia"

O primeiro-ministro reagiu às declarações do presidente da Comissão Europeia, que disse que o alívio da dívida grega não foi discutido por causa das eleições em Portugal. “Deve haver alguma confusão” de Juncker, respondeu Passos.

Miguel Baltazar/Negócios
Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt 22 de Julho de 2015 às 12:49
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Passos Coelho rejeitou ter bloqueado, em conjunto com Espanha e Irlanda, a discussão do alívio da dívida grega. Numa entrevista publicada esta quarta-feira pelo diário belga Le Soir, Jean-Claude Juncker diz que propôs a Alexis Tsipras discutir a dívida helénica em Outubro, mas que "Irlanda, Portugal e Espanha, não a queriam [essa discussão] antes das eleições e ficaram irritados comigo".

 

O primeiro-ministro português aproveitou para responder ao presidente da Comissão Europeia no Conselho de Concertação Territorial, esta manhã, em Lisboa. "Deve haver alguma confusão do presidente da Comissão Europeia", afirmou, especificando que estava previsto que essas negociações ocorressem em Outubro, ou seja, depois das eleições em Portugal.

 

Passos Coelho acrescentou, depois, o que pensa sobre um corte da dívida. "As regras dentro da Zona Euro não permitem que haja perdão nominal da dívida de qualquer país, não só da Grécia", defendeu. Só "se um país não estiver dentro das regras do euro" é que "pode beneficiar de um perdão de dívida". Mas esse "não é o caso dos países que fazem parte da moeda única".

 

Em suma, "esse perdão de dívida na moeda única não é consentido pelas regras".

 

Mas há coisas que se podem fazer. "Não é [possível] perdoar a dívida da Grécia porque isso não é possível em termos nominais; não é

As regras dentro da Zona Euro não permitem que haja perdão nominal da dívida de qualquer país, não só da Grécia.
Pedro Passos Coelho

possível dizer 'deve 80, então pague 50'", exemplificou. "Mas é possível estender o prazo de reembolso dos empréstimos, alargar um determinado período de carência de juros para que o pagamento dos juros não sobrecarregue a capacidade de a Grécia poder ir a mercado e contratualizar novos financiamentos".

 

"Isso está à nossa disposição e, nos termos do compromisso assumido na cimeira da Zona Euro, todos nos comprometemos, após a avaliação completa do novo programa grego, a estudar formas desta natureza para poder aliviar a dívida grega", garantiu Passos Coelho. Dessa forma é possível que "o FMI se venha a associar" ao terceiro resgate grego.

 

Passos alinha com Portas no desemprego

Depois da entrevista da semana passada à SIC ter colocado Passos Coelho sob fogo da oposição e sob o escrutínio da imprensa, com declarações polémicas sobre o desemprego (que foram escrutinadas pelo Negócios), o primeiro-ministro resolveu alinhar com Paulo Portas, que, na entrevista de ontem, igualmente à SIC, disse que o mais importante é a tendência de descida da taxa de desemprego.

"O que interessa saber é qual a tendência de longo prazo", disse Passos. E "a tendência é positiva: cada vez temos mais emprego e cada vez desce mais o desemprego", concluiu.

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