Zona Euro Portugal escapa a descida de depósitos no pós-Chipre

Portugal escapa a descida de depósitos no pós-Chipre

As perdas impostas aos depositantes no resgate à banca cipriota e a possibilidade do modelo vir a ser aplicado noutros países não abalou a confiança nos bancos portugueses. Famílias e empresas aumentaram o valor depositado em 1.500 milhões de euros.
Portugal escapa a descida de depósitos no pós-Chipre
Jose Manuel Ribeiro/Reuters
André Veríssimo 30 de maio de 2013 às 00:01

O montante aplicado em depósitos pelas famílias portuguesas cresceu 0,44% entre o início de Março e o final de Abril, de acordo com os dados publicados ontem pelo Banco Central Europeu (BCE). Os depósitos das empresas registaram um acréscimo de 3,36%. A evolução positiva registada nestes dois meses permitiu elevar o saldo global nas instituições financeiras nacionais para 160,1 mil milhões de euros, o nível mais elevado em cinco meses.

Foi a 16 de Março que Nicos Anastasiades, presidente do Chipre, anunciou que os depositantes seriam envolvidos no plano de assistência financeira ao país, com as suas aplicações a serem convertidas em acções dos bancos. Pela primeira vez desde o início da crise soberana foram impostas perdas a quem tinha poupanças em depósitos. No dia 25 o novo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, deu a entender aos jornalistas que a intervenção na ilha cipriota poderia servir de modelo em casos futuros. O novo mecanismo europeu de resolução de bancos, que está em discussão na União Europeia, prevê também o envolvimento dos depositantes acima de 100 mil euros num resgate.

Notícias que provocaram o receio de uma retirada de depósitos dos países da periferia da Zona Euro, devido à maior percepção de risco. Que não se materializaram no caso português, mas são evidentes no próprio Chipre, onde os depósitos das empresas desceram 21,8% em dois meses. No caso das famílias a quebra foi de 6,5%. A saída de depósitos das empresas ocorreu ainda na Grécia, Finlândia, Holanda, Eslovénia e Estónia. Malta, Luxemburgo e França registaram os maiores aumentos percentuais.

Crédito volta a recuar

Mais do que os depósitos, é a evolução da concessão de crédito que pode ser considerada preocupante. Os empréstimos a empresas e famílias recuaram pelo 12º mês em Abril, numa altura em que a economia da região atravessa uma longa recessão. Os dados do BCE indicam que o financiamento ao sector privado desceu 0,9% em termos homólogos. Em Portugal o crédito às empresas desceu 5,2% face a Abril de 2012, caindo para o nível mais baixo desde Dezembro de 2007. Os empréstimos às famílias desceram 4,6%.

 

 




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