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Primeiro-ministro finlandês rejeita um perdão de dívida à Grécia

Alex Stubb garante que dirá um "retumbante não" a qualquer possibilidade que preveja um perdão de dívida à Grécia, algo que vem sendo defendido pelo partido Syriza, que lidera as sondagens a menos de duas semanas das eleições. Também o primeiro-ministro espanhol afirmou que o Syriza "promete o impossível".

Finlândia Alexander Stubb
Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 14 de Janeiro de 2015 às 17:37
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Numa entrevista concedida ao jornal britânico Financial Times, o primeiro-ministro da Finlândia Alex Stubb (na foto) disse rejeitar liminarmente um perdão de dívida à Grécia. A Finlândia dirá um "retumbante não" a qualquer pretensão de Atenas que preveja um perdão de dívida, declarou o governante finlandês.

 

Alex Stubb começou por garantir que não pretende, de forma alguma, influenciar o resultado das eleições parlamentares gregas antecipadas para 25 de Janeiro, para depois explicar que considera "justo para os gregos e para os finlandeses" pronunciar-se sobre as ideias e programas defendidos por algumas forças partidárias helénicas que são, "simplesmente, inaceitáveis para a Finlândia".

 

A Finlândia tem vindo a assumir uma posição no seio da União Europeia (UE) como um dos países mais entusiastas dos benefícios das medidas de austeridade e da aplicação de reformas estruturais. E apesar de garantir que o seu país "continuará a demonstrar solidariedade", o governante finlandês lembra que "perdoar empréstimos ou interromper os actuais programas" em curso está completamente fora de questão.

 

Porque "isso é, em termos económicos e políticos, simplesmente impossível para um país como a Finlândia, que também está actualmente a enfrentar dificuldades". Com o aproximar das

As eleições gregas não irão alterar a realidade. A Grécia terá de prosseguir as reformas económicas para retomar o crescimento.
 
Alex Stubb
Primeiro-ministro da Finlândia

legislativas na Finlândia, agendadas para o próximo mês de Abril, Alex Stubb assegura que tem apenas um objectivo em mente, e que passa "pela defesa dos interesses dos finlandeses".

 

"As eleições gregas não irão alterar a realidade", assegurou o líder finlandês que garante que a "Grécia terá de prosseguir as reformas económicas para retomar o crescimento".

 

O Syriza, partido liderado por Alexis Tsipras, lidera as sondagens com cerca de 3 pontos percentuais de vantagem sobre o Nova Democracia do primeiro-ministro Antonis Samaras.

 

Tsipras escreveu recentemente um artigo de opinião no The Guardian onde defendia que "a maior parte do valor nominal da dívida pública tem de ser anulada, tem de ser imposta uma moratória sobre o reembolso da dívida remanescente e uma cláusula que associe o serviço dessa dívida à taxa de crescimento, de modo a que se possam usar os recursos assim poupados em medidas de estímulo do crescimento".

 

"Nós reclamamos condições de reembolso que não levem o país a sufocar em recessão e as pessoas ao desespero e à pobreza", concluía Tsipras.

 

Da parte da Alemanha, segundo citações atribuídas pela agência Bloomberg a oficiais do Executivo germânico, haverá disponibilidade para uma reestruturação da dívida helénica, não para um perdão de dívida. Berlim estará disponível para medidas de alívio do peso que a dívida representa actualmente para a Grécia, como por exemplo o prolongamento das maturidades ou a redução das taxas de juro.

 

Esta quarta-feira, o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy deslocou-se até à Grécia para se encontrar com o seu congénere Samaras, aproveitando para, também ele, demonstrar o seu apoio ao actual governante grego. Sobre as promessas feitas pelo Syriza, Rajoy limitou-se a assegurar que o partido de Tsipras "promete o impossível", segundo citação do El País.

 

"Venho defender as políticas que foram duras, mas também imprescindíveis", salientou Rajoy em referência à execução dos dois memorandos negociados entre Atenas e a troika, cuja grande parte tem vindo a ser implementada pelo Executivo de Samaras.

 

Já o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, afirmou esta quarta-feira que espera que a Grécia continue a via reformista, independentemente dos resultados das eleições de 25 de Janeiro. "Independentemente de quem ganhe as eleições, o governo deverá continuar o caminho reformista que permitiu que fossem alcançados grandes progressos nos últimos anos, com muita solidariedade europeia", disse Schaüble em declarações ao canal de notícias N24.

 

O ministro alemão não quis comentar declarações do líder da formação de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, que garantiu que os contribuintes alemães não têm nada a temer caso o partido ganhe as eleições.

 

"Não vou interferir na campanha eleitoral grega", disse Schäuble, que há algumas semanas afirmou que se a Grécia deixar o caminho das reformas será difícil manter a solidariedade europeia.

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