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Provável sucessor de Monti diz que não mudará de rumo

Mercados surpreendidos com pedido de demissão de Mário Monti recuperaram parte das perdas da manhã. Líder do Partido Democrático (centro esquerda), provável vencedor nas próximas eleições, garante que manterá o mesmo rumo.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 10 de Dezembro de 2012 às 17:26
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Pier Luigi Bersani (na foto), líder do Partido Democrático (centro esquerda) que surge destacado nas sondagens como provável vencedor das próximas eleições, garante que vai respeitar os compromissos orçamentais assumidos com a Europa, assim como o calendário de reformas económicas encetado pelo governo de transição de Mário Monti.

"Respeitaremos os compromissos muito rigorosos adoptados por Itália e iremos assumi-los como nossos”, afirmou Bersani numa entrevista ao “Wall Street Journal” hoje publicada, mas que foi concedida horas antes de Monti, antigo comissário europeu, ter anunciado no sábado que renunciará ao cargo depois da aprovação do Orçamento do Estado para 2013, o que pode suceder ainda antes do Natal.

Os mercados financeiros reagiram negativamente ao anúncio, mas recuperaram ao longo da sessão parte das perdas acumuladas durante a manhã. Os “juros” da dívida italiana fecharam com uma subida de cerca de 30 pontos base em praticamente todos os prazos, aquém dos acréscimos de 40 pontos que chegaram a ser registados durante a manhã. As “yields” das obrigações a dez anos rondam agora os 4,8% no mercado secundário. Estão, portanto, ainda muito longe dos níveis de alerta de 6%-7%, mas sinalizam uma inversão no processo de normalização das taxas de juro que pode estender-se ao resto dos países do euro.

Os indicadores de Espanha sofreram um agravamento, mas muito moderado. Os juros da dívida a dez anos subiram 9,7 pontos base para 5,55%. A dois anos, a subida foi a mais expressiva: 11 pontos base para 3,08%. Portugal “passou ao lado” desta turbulência: a dois anos, as “yields” desceram 11 pontos para 3,97%; nos restantes prazos registaram subidas residuais -  a dez anos, os juros estão em 7,563%, contra 7,558% no fecho de sexta-feira.

Cartada desesperada?

O anúncio de Monti surgiu depois de o Partido da Liberdade, de Sílvio Berlusconi, lhe ter retirado o apoio, e de o próprio Berlusconi ter comunicado a sua disponibilidade para se apresentar às eleições que deverão agora ter lugar em meados de Fevereiro, sensivelmente um mês antes do previsto.

Nas mais recentes sondagens, o partido de Berlusconi surge com 15%-18% das intenções de voto, menos de metade do apoio que cativava quando o mega-empresário ainda estava no Governo. Já o Partido Democrático de Bersani surge com 35%-38% dos votos, podendo, neste cenário, formar uma coligação de governo com os centristas da UDC  de Pier Ferdinando Casini, antigo aliado, entretanto desavindo, de Berlusconi

A “cartada” Berlusconi surge aos olhos de vários observadores como uma manobra desesperada para tentar contrariar o afundamento do próprio partido.

Berlusconi renunciou à chefia do Governo em 2011, tendo a gota de água sido a um escândalo sexual envolvendo uma prostituta menor de idade. O Presidente Giorgio Napolitano pediu então ao ex-comissário europeu Mário Monti para formar um governo de tecnocratas, com o apoio de uma coligação de três partidos, de direita e esquerda, onde se inclui o PDL de Berlusconi.

Com Itália à beira de ser excluída dos mercados financeiros, que exigiam juros cada vez mais altos, e sem “rede” europeia capaz de socorrer à terceira maior economia do euro, Monti impôs várias medidas de austeridade para trazer os custos dos empréstimos sob controle. Mas os impostos mais elevados terão ajudado a aprofundar a recessão que se instalara no segundo semestre do ano passado.

Na mesma entrevista ao Wall Street Journal, Bersani diz, a esse propósito, esperar que a Zona Euro, agora de regresso à recessão, assuma uma postura mais flexível em relação ao cumprimentos dos objectivos orçamentais. “A política europeia não pode estar apenas focada na austeridade. Isso gerou problemas sociais reais em Itália e na Europa. Estou convencido que de no próximo ano a situação na Europeia irá suscitar discussões e uma revisitação das políticas económicas e orçamentais, não para as rever para introduzir algumas correcções no sentido de as tornar mais flexíveis. Essa será a posição de Itália, mas não seremos necessariamente os primeiros a pôr o dedo no ar”.

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